Forças curdas recrutam menores para lutar na Síria

Uma mãe disse à Human Rights Watch que o filho, que tinha 16 anos quando foi recrutado, morreu em confrontos

As Unidades de Proteção Popular (YPG) curdas, principal força da aliança árabe-curda das Forças Democráticas da Síria (FSD), recrutaram menores de famílias deslocadas, denunciou esta sexta-feira a Human Rights Watch (HRW).

A organização de defesa dos direitos humanos assinalou em comunicado que as YPG recrutaram adolescentes das famílias mais vulneráveis nos campos de deslocados do norte da Síria, inclusive sem o conhecimento dos seus familiares, e apesar de terem prometido que deixariam de contar com menores nas suas fileiras.

A HRW entrevistou oito famílias em três campos de deslocados no nordeste da Síria e estas disseram que seis raparigas e dois rapazes de entre 13 e 17 anos se tinham alistado recentemente.

Uma mãe disse à organização que o seu filho, que tinha 16 anos quando foi recrutado, morreu em confrontos entre as YPG e o grupo extremista Estado Islâmico em Raqa, a cidade bastião dos 'jihadistas' no nordeste da Síria.

A mãe de uma jovem, igualmente de 16 anos, indicou que recebe 300 dólares mensalmente, o "salário" da sua filha, mas que não conseguiu comunicar com ela nos últimos seis meses.

Outra mulher disse à HRW que a sua filha de 13 anos se alistou, apesar de proibida pela mãe, e que está desaparecida há um mês.

A organização pediu no final de junho informação às YPG e à principal formação política curdo-síria, o Partido da União Democrática (PYD), sobre as medidas para prevenir o recrutamento e a participação de menores no conflito armado nas áreas sob controlo curdo.

Segundo a organização, a administração autónoma curda respondeu que os menores de 16 e 17 anos podem alistar-se, mesmo sem consentimento familiar, mas "não se lhes permite lutar", recebendo "formação intelectual e profissional" em centros especializados.

A HRW apoia a sua denúncia em dados da ONU, que mostram um aumento do recrutamento de menores por parte das YPG em 2017, quando se registaram 244 casos, quase cinco vezes mais do que no ano anterior.

Pelo menos três daqueles adolescentes foram sequestrados para integrarem as fileiras da milícia.

As FDS recebem apoio dos Estados Unidos e desempenharam um papel fundamental na luta contra o Estado Islâmico na Síria, tendo conseguido reconquistar aos radicais vastos territórios no norte do país.

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