Síria diz ter sido atacada por Israel

Órgãos de comunicação social estatais da Síria acusaram Israel de lançar, hoje, mísseis contra um alvo perto de Damasco, logo depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado a rutura do acordo sobre o nuclear com o Irão.

Duas horas após o anúncio da Casa Branca, a agência de notícias estatal síria SANA relatava explosões em Kisweh, ao sul de Damasco. As defesas aéreas sírias dispararam contra dois mísseis israelitas, destruindo ambos, disse a SANA.

Um comandante da aliança regional que apoiava o presidente sírio, Bashar al-Assad, disse à Reuters que a Força Aérea de Israel havia atingido uma base do exército em Kisweh, sem causar baixas. Perguntado sobre estas declarações, uma porta-voz militar israelita disse: "Nós não respondemos a tais relatórios estrangeiros".

O anúncio de Trump sobre o fim do acordo com o Irão foi saudado por Israel mas despertou temores de uma possível explosão regional.

O Exército de Israel anunciou que, ao identificar "atividades irregulares" de forças iranianas na Síria, instruiu as autoridades civis nos Montes Golã para prepararem abrigos antiaéreos, mobilizando novas defesas e mobilizando algumas forças reservistas. Os "media" israelitas disseram que a ordem de terça-feira para preparar abrigos antiaéreos nos Golan foi sem precedentes durante a guerra civil na Síria.

Sinal da urgência militar em Israel foi o facto de o seu chefe militar máximo, Gadi Eizenkott, ter cancelado uma presença numa conferência anual de segurança.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez um discurso televisionado elogiando a política de Trump e aludindo às tensões sobre a Síria. "Há meses que o Irão está a transferir armas letais para suas forças na Síria, com o objetivo de atacar Israel", disse. "Nós responderemos poderosamente a qualquer ataque em nosso território", prometeu.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.