Singapura, palco para a História. Quando Kim Jong-un tirou fotografias na noite da cidade

A segurança apertou e essa é a grande diferença que se nota em Singapura. A não ser para quem se cruzou com Kim Jong-un numa volta noturna pela cidade

A histórica cimeira entre o presidente dos Estados Unidos Donald Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-un está a ser vivida em Singapura num clima de grande expectativa. Donald Trump afirmou que tinha a convicção que tudo iria correr bem, ao mesmo tempo que agradecia ao anfitrião da cimeira, Lee Hsien Loong com quem almoçou num ambiente marcado por otimismo de ambas as partes. Contudo, subsistem incertezas sobre o resultado final do encontro de amanhã, nomeadamente no que diz respeito ao futuro processo de verificação da potencial desnuclearização da Coreia do Norte. Nas ruas da cidade-estado, viveu-se um dia, apesar de tudo, marcado por alguma normalidade, excetuando as medidas de segurança apertadas e as restrições em torno dos hotéis onde os dois líderes estão instalados, no centro da cidade. Mais difícil é o acesso à ilha de Sentosa, onde vai decorrer a tão aguardada cimeira, amanhã, terça-feira, dia 12 de junho às 9 da manhã (hora local), 2 da manhã (hora de Lisboa).

A incursão noturna de Kim

A agenda de Kim manteve-se um mistério ao longo dia dia. A surpresa chegou ao início da noite quando a caravana do líder norte-coreano saiu do hotel Saint Regis, no centro da cidade, para rumar a algumas das principais atracões turísticas de Singapura. O ministro dos negócios estrangeiros da cidade-estado publicou na sua página do Facebook fotos com Kim, junto de alguns dos locais mais populares entre os turistas como Gardens by the Bay e o ícone arquitetónico da cidade, o casino-resort Marina BAy Sands. Esta é a terceira vez que, publicamente, Kim sai do país em visita oficial desde que assumiu as rédeas do poder no final de 2011, altura em que sucedeu ao seu pai, Kim Jong-Il, quando este faleceu.

Uma cidade-estado à medida

Singapura surge assim como local com características quase únicas para ser palco desta cimeira. É uma cidade-estado com uma dimensão pouco maior que Andorra, conhecida por ser dos países mais seguros do mundo e pelo controlo exercido pelas autoridades sobre aspetos da vida social. Além do mais, goza de uma relativa neutralidade em termos políticos e diplomáticos. É desta forma também que encara a situação Fernando Matos, cidadão português residente em Singapura há 14 anos. "É o local ideal pela segurança, pela centralidade, pelos acessos, pela pacatez de ser uma cidade em que não há grandes manifestações", observa. A perceção de Singapura como neutral politicamente também joga muito a seu favor: "Por ser uma base para grandes empresas multinacionais e muito comércio confere-lhe também essa neutralidade."
Natural de Lisboa, Fernando Matos vive fora de Portugal há 22 anos. Primeiro em Londres, depois no Dubai e agora em Singapura, onde diz sentir-se bem por "estar a viver no motor da economia mundial". Fernando Matos é diretor de patrocínios da Visa para a região Ásia Pacífico. Esta terça-feira, tal como os restantes 5.6 milhões de habitantes de Singapura e o resto do mundo, vai estar de olhos postos na ilha de Sentosa - a sul da ilha principal - para ver se Singapura sempre traz bons auspícios para a paz e segurança internacional.

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