Singapura investiga roubo de petróleo à Shell

Milhares de toneladas métricas foram desviadas entre outubro de 2016 e o início deste mês da refinaria da petrolífera holandesa em Singapura.

O desvio do combustível terá sucedido entre o início de outubro do ano transato e o início de 2017 da refinaria da Shell em Pulau Bukom, em Singapura, com as autoridades da cidade-Estado a deterem 14 indivíduos, dos quais 11 naturais do país e três vietnamitas, apreendendo ainda um petroleiro e congelando as contas dos suspeitos. Oito dos singapurenses são funcionários da petrolífera, outros dois são responsáveis da empresa proprietária de um dos petroleiros envolvidos no roubo.

Os acusados serão presentes a tribunal na próxima quinta-feira.

A petrolífera Shell terá detetado movimentações suspeitas na refinaria de Pulau Bukom e discrepâncias entre os registos de entrada e saída de combustível, entrando em contacto com as autoridades de Singapura.

Estão confirmadas, pelo menos, nove operações de desvio de combustível mais de dez mil toneladas métricas, avaliadas em mais de quatro milhões e meio de dólares, transferido para três petroleiros, MT Gaea, Prime South e Sentek 26, que navegaram desde Singapura até ao Vietname, Indonésia e Tailândia. Os dois primeiros estão registados no Panamá, o terceiro em Singapura.

As autoridades de Singapura não excluem a realização de novas detenções e acreditam estar-se perante um caso de puro contrabando de combustível, sem relação com as sanções aplicadas pela comunidade internacional à Coreia do Norte, como chegou a ser sugerido em algumas notícias sobre a questão. Recorde-se que o Conselho de Segurança das Nações Unidas reforçou recentemente as sanções de caráter económico ao regime de Pyongyang, restringindo, em particular, o volume permitido de vendas de combustível à Coreia do Norte.

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