Coreia do Sul e EUA adiam manobras militares

Líder sul-coreano e Donald Trump tomaram decisão após uma conversa telefónica. Exercícios vão acontecer depois das Olimpíadas de inverno

A Coreia do Sul e os Estados Unidos decidiram hoje adiar as manobras militares anuais conjuntas para depois dos Jogos Olímpicos de inverno, previstos para fevereiro em solo sul-coreano e que poderão ficar marcados por uma possível participação norte-coreana.

A decisão, confirmada pelo Departamento de Defesa norte-americano (Pentágono) e pela Presidência sul-coreana, surge após Seul e Pyongyang terem restabelecido um canal de comunicações transfronteiriço que estava desligado desde 2016 e do regime norte-coreano ter admitido enviar uma delegação às Olimpíadas de inverno, marcadas para PyeongChang entre 9 e 25 de fevereiro.

Uma nota informativa divulgada por Seul indicou que o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, e o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, tomaram a decisão após uma conversa telefónica.

Os dias da competição desportiva iriam coincidir com a data que normalmente marca o início dos exercícios militares conjuntos de Seul e Washington.

"Acredito que irá ajudar em muito para garantir o sucesso dos Jogos Olímpicos de inverno de Pyeongchang se manifestar intenção de adiar os exercícios durante o evento", disse Moon Jae-in ao homólogo norte-americano, segundo a transcrição da conversa divulgada por Seul.

Donald Trump concordou com o adiamento e disse ao chefe de Estado sul-coreano que poderia comunicar a Pyongyang que não vão ocorrer manobras militares durante a competição, de acordo com a mesma fonte.

Do lado do Pentágono, a informação foi confirmada pelo coronel Rob Manning.

"O Departamento de Defesa apoia a decisão do Presidente e o que é no melhor interesse da aliança Coreia do Sul e Estados Unidos", declarou Rob Manning, numa referência ao tratado de defesa assinado entre Washington e Seul.

Os exercícios militares anuais, conhecidos como "Foal Eagle", normalmente são realizados entre fevereiro e abril.

Estas manobras consistem numa série de exercícios destinados a testar a prontidão das forças militares sul-coreanas e norte-americanas.

A Coreia do Norte contesta fortemente estes exercícios militares que qualifica como um ensaio para uma eventual invasão.

Em finais de 2017, Seul já tinha abordado Washington sobre um possível adiamento das manobras conjuntas durante a competição olímpica, de forma a evitar um novo teste balístico norte-coreano.

O restabelecimento da comunicação entre as duas Coreias surgiu depois de Seul ter proposto ao regime norte-coreano a realização de negociações de alto nível sobre a possibilidade de cooperação nos Jogos Olímpicos de inverno e do líder norte-coreano, Kim Jong-un, ter levantado a possibilidade, durante a sua mensagem de Ano Novo, de Pyongyang enviar uma delegação às Olimpíadas.

A proposta de Seul prevê a realização de negociações a 9 de janeiro, o primeiro encontro deste género desde 2015.

As duas Coreias estão tecnicamente em estado de guerra há mais de 65 anos.

Nos últimos meses, o regime de Pyongyang tem realizado diversos testes de mísseis balísticos e efetuou um teste nuclear (o sexto).

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