Sete deputados deixam o Labour em choque com Corbyn

Chuka Umunna, Luciana Berger, Chris Leslie, Angela Smith, Mike Gapes, Gavin Shuker e Ann Coffey vão continuar a servir no Parlamento mas como independentes. Saem por discordar dos políticas do líder trabalhista, Jeremy Corbyn, em relação ao Brexit e ao antissemitismo.

"A política está mal. Não tem de ser assim. Vamos mudar as coisas", afirmou Chuka Umunna em Londres. O deputado é um dos sete trabalhistas que anunciaram esta segunda-feira a saída do Labour por discordarem das posições do seu líder, Jeremy Corbyn, sobre o Brexit e sobre antissemitismo.

A Chuka Umunna juntaram-se Luciana Berger, Chris Leslie, Angela Smith, Mike Gapes, Gavin Schuker e Ann Coffey.

Segundo Umunna, este é "o primeiro passo" para uma "nova alternativa" e apelou a outros deputados para se juntarem a eles. "Demos passos para deixar a velha política para trás e convidamos outros a fazer o mesmo", disse Umunna.

Os sete falaram na conferência de imprensa apresentando as suas razões para deixar o Labour. Chris Leslie, por exemplo, lamentou que o partido tenha sido "sequestrado" pela extrema-esquerda.

Luciana Berger disse que esta foi uma decisão "difícil, dolorosa, mas necessária", antes de criticar o partido por se ter tornado "doentiamente e institucionalmente racista".

A deputada judia indicou ainda ter ficado "embaraçada e envergonhada" de continuar no Labour, explicando que o partido não conseguiu lidar com o antissemitismo dos seus membros. "Estou a deixar para trás uma cultura de bullying, fanatismo e intimidação. Estou ansiosa de trabalhar com colegas que se respeitam", acrescentou.

"Representamos diferentes partes do país, somos de diferentes origens, nascemos em diferentes gerações, mas todos partilhamos os mesmos valores", disse Berger.

Corbyn já reagiu, mostrando-se "desiludido" e lamentou que os deputados não tenham conseguido continuar a trabalhar em prol de políticas que "inspiraram milhões" nas eleições de 2017.

Esta decisão, cujos rumores vinham crescendo nos últimos dias na imprensa britânica, reduz o grupo parlamentar do Labour na Câmara dos Comuns, a câmara baixa do parlamento britânico, de 256 para 249.

Os deputados deste grupo independente (que já tem site, mas parece estar constantemente a cair) dizem que não vai haver uma "fusão" com os Liberais-Democratas, já que querem "construir uma nova alternativa". A primeira reunião formal do grupo será nos próximos dias para distribuir papéis e responsabilidades.

O líder dos Lib-Dem, Vince Cable, disse que o partido está aberto a trabalhar com indivíduos que queiram voltar a dar os britânicos a última palavra sobre o Brexit. Cable também deixou o Labour em 1982 para se juntar ao "gangue dos quatro" que saíram para formar o Partido Social Democrata, que viria a fundir-se com os Liberais Democratas.

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