Senegal falha em impedir abusos de crianças nas escolas corânicas

Um ano depois de repressão governamental às práticas das escolas corânicas no Senegal, milhares de crianças voltaram a ser enviadas para as ruas como pedintes por professores abusadores

Dezenas de milhares de crianças no Senegal ainda são forçadas a pedir nas ruas para poderem comer por professores abusadores das escolas corânicas. Um ano depois de o governo senegalês ter decidido combater esta prática, o facto é que se mantém, segundo um relatório da organização Human Rights Watch (HRW), citado hoje pelo jornal The Guardian.

O relatório revelou que muitas das crianças talibés detetadas nas ruas pelas autoridades foram depois devolvidas aos professores que os tinham forçado à mendicidade.

Não houve uma única detenção ou acusação relacionada com esta prática espalhada pelo país, apesar de centenas de crianças terem denunciado a polícias senegaleses que eram vítimas.

O Senegal tem estado sob grande pressão internacional para parar os abusos contra os talibés, crianças que são enviadas pelas suas famílias, muitas vezes a milhares de quilómetros de casa, para terem uma educação nas escolas islâmicas (daaras).

Muitas dessas escolas abusam das crianças a seu cargo, forçando-as a pedir nas ruas e castigando-as severamente se não regressam com dinheiro ou comida. Em 2010, HRW estimava que 50.000 crianças talibés estavam a pedir nas ruas do Senegal, e um relatório do governo senegalês em 2014 indicava que esse número ainda podia ser maior.

O tema mereceu ao fotojornalista português Mário Cruz o primeiro prémio no World Press Photo em 2016 com uma fotoreportagem publicada na Newsweek sobre o tráfico e a exploração do trabalho infantil no Senegal, com crianças senegalesas e guineenses. A fotorreportagem retrata a realidade dos talibés, onde os abusos são uma constante. A fotografia escolhida mostra crianças que fugiram. Foi captada na margem de um rio na cidade de Saint Louis

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