Senador fotografado a assediar apresentadora de rádio

Leeann Tweeden contou tudo a uma rádio de Los Angeles

O senador norte-americano Al Franken pediu esta quinta-feira desculpa a uma apresentadora de rádio que o acusou de comportamento impróprio, mas apesar de esta ter aceitado as desculpas, o democrata ainda poderá ser investigado pela comissão de Ética.

Leeann Tweeden relatou na página de Internet da rádio de Los Angeles KABC que em 2006, quando Al Franken era um comediante, os dois participaram numa digressão para os militares norte-americanos em missões no exterior e que o senador eleito em 2009 a beijou agressivamente e tirou uma fotografia onde parece apalpá-la enquanto esta dormia.

Franken já pediu desculpas pelo seu comportamento, com Tweeden a aceitar e a dizer que já o devia ter feito antes, mas o senador afirma-se disponível para ser investigado pelo Senado, como defenderam vários colegas seus, quer republicanos quer democratas.

A apresentadora afirma que Franken escreveu de propósito um "sketch" em que os dois tinham que se beijar e insistiu que teriam que ensaiar a cena do beijo, ao que Tweeden acabou por ceder.

"Dissemos o diálogo até ao beijo e então, ele avançou para mim, agarrou-me a nunca, espremeu os lábios contra a minha boca e enfiou a língua na minha boca", contou Tweeden, afirmando que o rechaçou e o avisou para não repetir o gesto.

"Senti-me enojada e desrespeitada", disse Tweeden, que no regresso da viagem descobriu uma fotografia tirada enquanto dormia, em que Al Franken aparece com as mãos no seu peito, por cima de um colete à prova de bala que a apresentadora usava.

Sobre a fotografia, Franken afirmou sentir-se enojado com a imagem, que "não é engraçada e é completamente inapropriada", e reconheceu que "é óbvio por que Leann se sentiu violada".

"Por vir do mundo da comédia, já contei e escrevi muitas piadas que na altura me pareceram engraçadas mas depois apercebi-me de como eram ofensivas", afirmou.

Leeann Tweeden afirmou que aceita as desculpas e salientou que não falou antes da situação porque receou que lhe afetasse a carreira, mas com a onda de acusações de assédio sexual e até violação dirigidas a figuras do entretenimento como o ator Kevin Spaccey ou o produtor Harvey Weinstein, decidiu contar o sucedido para inspirar outras mulheres a contarem os seus casos.

O líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, afirmou que as acusações são perturbadoras e considerou que a comissão de Ética do Senado deve investigar.

O caso de Franken surge quando outro senador, o republicano Roy Moore, foi acusado de ter tido relações sexuais com uma rapariga de 14 anos em 1979 e de ter tido contacto íntimo com outras raparigas menores.

[Notícia corrigida às 14:03: Mitch McConnell é líder dos republicanos e não dos democratas no senado]

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