Senado altera as regras para contornar boicote dos democratas às nomeações de Trump

Democratas faltaram a votação para não aprovarem escolhas de Trump para pastas do governo

A comissão das Finanças do Senado norte-americano alterou as suas regras de funcionamento para aprovar dois dos nomeados de Donald Trump para a nova administração, de forma a contornar o boicote dos democratas para adiar ou bloquear a aprovação dos ministros.

As regras dos comités de confirmação exigem que pelo menos um democrata esteja presente na sala para o painel do senado poder votar. Mas, na terça-feira, os democratas abandonaram a sala, impossibilitando a votação e adiando a confirmação das escolhas do presidente. Em causa estavam as nomeações dos secretários que ficarão com as pastas da Saúde e do Tesouro, Tom Price e Stephen Mnuchin, respetivamente.

"Ontem, ao invés de aceitarem algo que estava abaixo do que desejavam, os nossos colegas democratas escolheram acobardarem-se nos corredores e darem uma conferência de imprensa", disse o senador Orrin Hatch, que preside à comissão de Finanças, na terça-feira, segundo o Washington Post.

Esta quarta-feira, os democratas fizeram o mesmo: recusaram-se a aparecer para impedir ou adiar as votações de confirmação. Em causa, dizem, a necessidade de tempo para recolher mais informação sobre os nomeados, considerando existirem dúvidas sobre os seus antecedentes financeiros.

Contudo, e tendo em conta "as circunstâncias invulgares", como explicou Orrin Hatch, o presidente do comité, foi permitido aos republicanos decidirem, através do voto, se as normas do comité deveriam ser suspensas neste caso. Com as regras suspensas, os 14 republicanos da sala aprovaram a nomeação de Munchin e Price, sem a presença ou apoio de qualquer democrata.

"Eles recusaram-se a participar neste exercício por iniciativa própria", argumentou Hatch esta quarta-feira, segundo a CNN. "Não podem culpar ninguém senão eles próprios".

O presidente norte-americano usou a rede social Twitter para reagir ao boicote democrata.

"Quando é que os democratas nos dão o procurador-geral e o resto do gabinete! Deviam ter vergonha! Não admira que Washington não funcione!", escreveu Donald Trump no Twitter na terça-feira.

A nomeação do conservador Neil Gorsuch para juiz do Supremo Tribunal deverá aumentar a tensão no senado, com os democratas a avisarem de ante mão que vão tentar bloquear a aprovação do mesmo. Para isso, os democratas precisam de reunir 60 votos contra a nomeação de Gorsuch.

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