"Se chover, é uma bênção"

Milhares de pessoas reunidas em Maputo para assistir à missa com que o Papa Francisco encerra esta sexta-feira a visita a Moçambique.

Sérgio Nassum nasceu há três anos no dia de Natal, "o dia do menino Jesus", diz sorridente o pai, com o mesmo nome, ao levá-lo ao colo para a missa que o Papa Francisco vai celebrar esta sexta-feira no Estádio do Zimpeto, em Maputo.

São quase 07:00 (menos uma hora em Lisboa), chove ligeiramente e os 16 graus são sinónimo de tempo frio em Maputo, o que obriga a vestir casacos fortes, mas nada disto impediu Sérgio Nassum, 38 anos, de levar três filhos para a celebração.

Pretende testemunhar com eles a presença do Papa que traz uma mensagem de paz e união entre moçambicanos que garanta um futuro melhor. "Estou a viver num país meio turbulento, mas [os filhos] vão viver num país com paz".

Três horas antes da hora marcada para a missa campal que encerra a visita do Papa Francisco a Moçambique, milhares de pessoas já enchiam quase por completo o Estádio do Zimpeto, onde o líder da Igreja Católica chega às 09:00 com chuva e uma temperatura (cerca de 15 graus) relativamente baixa para a capital.

No interior do papamóvel, Francisco dá uma volta na pista de atletismo do estádio, benzendo todos os presentes antes de se dirigir para o palco que hoje será o altar da celebração.

As bancadas iluminam-se com o 'flash' de centenas de telemóveis, que se assemelham a velas enquanto o papamóvel circula.

Durante a missa, o Papa fará a sua última intervenção no país, no dia em que se assinala um mês após a assinatura de um acordo de paz entre Governo e Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), oposição.

São esperadas cerca de 90 mil pessoas e no exterior a azáfama é grande, mas sem confusão.

Autocarros continuam a chegar e a entrada no estádio faz-se desde as 04:00, descreve Selda Araújo, 21 anos, que desde aquela hora vende garrafas de água à entrada.

Todos quantos se deslocaram ao principal estádio de Moçambique, nos arredores de Maputo, tiveram de madrugar e agora enfrentam um céu cinzento ameaçador.

"Se chover, é uma bênção", grita uma mulher num grupo que celebra com cânticos a entrada no estádio.

Alamungwe Emi, ruandês, mas residente em Maputo, explica que há várias razões para ouvir o Papa Francisco. "Temos guerra lá no norte", diz, numa alusão aos ataques de grupos armados em Cabo Delgado. "E estamos a entrar em eleições", agendadas para 15 de outubro, acrescenta.

Ests são dossiês que justificam uma mensagem de "paz e reconciliação", sublinha.

"Não sou católica, mas sou religiosa e vim pela fé que tenho. Vim pelo que um homem com a trajetória dele me pode oferecer", refere Miriam Henriques, 23 anos.

A missa campal a celebrar pelo Papa Francisco no Estádio do Zimpeto a partir das 10:00 antecede a sua partida para Madagáscar para continuar o périplo por África iniciado na quarta-feira em Maputo.

O Papa viaja ainda no dia 9 de Madagáscar para as ilhas Maurícias.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.