Saudita condenado a seis anos de prisão por criticar governo no Twitter

Nukheifi já estivera preso durante quatro anos pelos mesmos motivos. Amnistia Internacional pede a sua libertação imediata

Um tribunal saudita condenou o ativista Issa al-Nukheifi a seis anos de prisão por ter tuitado, em termos críticos, o governo, informou o grupo de direitos humanos ALQST. O saudita estava acusado de criticar a intervenção militar no Iémen, de insultar o governo e de contestar as suas decisões, bem como os seus procedimentos criminais e de segurança, segundo o jornal Okaz.

Issa al-Nukheifi foi preso em dezembro de 2016. Na terça-feira o ALQST publicou uma carta que o ativista escrevera ao príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. "Fiquei muito feliz ao ouvir os seus discursos e entrevistas nos quais apregoa liberdade de expressão e respeito pelos direitos humanos, que é o que pedimos e trabalhamos consigo para alcançar. Escrevo-lhe da prisão, tendo sido detido por pedir isso".

O ALQST criticou a sentença e a Amnistia Internacional pediu a libertação imediata do ativista.

"Em vez de se envolverem com os ativistas nas reformas, as autoridades estão a perseguir cada um deles, pelo que quase todos os ativistas dos direitos humanos do país estão agora silenciados ou presos", disse Dana Ahmed, da Amnistia.

Issa al-Nukheifi já tinha sido preso e condenado, entre 2012 e 2016 pelos mesmos crimes, tendo sido preso poucos meses depois de libertado. Agora a sentença condena-o também a cumprir seis anos de interdição nas redes sociais e de se ausentar do país quando a pena de prisão terminar.

Para a diretora do Médio Oriente da Human Rights Watch Sarah Leah Whitson, a sua detenção bem como as de outros 30 ativistas e intelectuais em dezembro, são a prova de que Mohammed bin Salman "não tem interesse real em melhorar o registo doe seu país no que respeita à liberdade de expressão e ao Estado de direito".

O príncipe herdeiro anunciou um programa de reformas chamado Visão 2030, anunciado com o duplo objetivo de retirar a dependência do país do petróleo e de introduzir reformas sociais.

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