Após o aparente desmaio, saúde de Hillary entra a sério na campanha

Candidata democrata afirma que indisposição nas cerimónias do 11 de setembro se deveu ao tempo quente

Hillary Clinton deixou "de forma inesperada e mais cedo do que o previsto" as cerimónias do 11 de setembro em Nova Iorque, que decorreram também noutros pontos dos EUA. A notícia, dada em primeira mão por um jornalista da Fox News no local, veio colocar num novo plano a questão da saúde da candidata presidencial democrata que, em dias recentes, vinha a ser posta em causa a partir de setores afetos à campanha de Donald Trump, o candidato republicano.

De acordo com a Fox News, e posteriormente comprovada por imagens, Hillary, de 68 anos, está parada, aparentemente amparada por uma assessora, quando se nota que os "joelhos vacilam" e tem de ser segurada por um elemento dos serviços secretos e colocada num veículo. Um polícia, colocado a poucos metros do local onde estava a candidata democrata, garantiu ao jornalista da Fox News que Hillary "teve claramente um qualquer problema médico".

A explicação da campanha da democrata surgiu hora e meia mais tarde. E não foi suficiente para desfazer todas as dúvidas. De imediato, o The Washington Post publicou online um texto onde destaca os seguintes aspetos: primeiro, o lapso de tempo entre o momento em que Hillary deixou as cerimónias e o da divulgação do comunicado; segundo, por que é que nenhum jornalista foi autorizado a acompanhá-la ou a segui-la noutro veículo; terceiro, a temperatura no momento da cerimónia era um pouco mais elevada (26 graus Celsius e cerca de 40% de humidade) do que a média nesta época do ano (24 graus Celsius), mas não necessariamente suficiente para indispor a candidata. Esta foi a explicação avançada no comunicado. Hillary ter-se-ia sentido "indisposta" após 90 minutos de presença na cerimónia e dirigiu-se a casa da filha, Chelsea, para descansar. Foi enquanto esperava pelo veículo que foram captadas as imagens na base da notícia. Os assessores de Hillary não comunicaram aos jornalistas que esta ia deixar a cerimónia nem para onde se dirigiria. E até à divulgação do comunicado, recusaram dizer uma palavra sobre o assunto.

Se é verdade que Hillary surgiu, passado algum tempo, sorrindo e acenando para as câmaras, a questão da sua saúde veio colocar-se no centro da campanha, quando faltam pouco menos de dois meses para o dia da eleição. De modo mais sério do que sucedera até ontem.

Na semana passada tinham surgido notícias alarmistas, como a publicada sexta-feira no Daily Express, citando um "professor" anónimo que diagnostica "demência muscular" em Hillary, que não teria mais de um ano de vida. No dia anterior, era divulgado um inquérito da Associação de Médicos e Cirurgiões Americanos (AAPS) em que sete em cada dez dos inquiridos considerou que a democrata pode ter problemas de saúde comprometedores para o exercício da presidência. E desde agosto, após um ataque de tosse de Hillary num comício, Rudy Giuliani, o ex-mayor de Nova Iorque que apoia Trump, tem martelado a ideia de que ela sofre de "problemas de saúde", mostra-se "cansada" e "ausente".

Tudo isto tem como base o sucedido em 2012, quando Hillary desmaiou em casa e, em resultado da queda, formou-se um coágulo no cérebro, forçando um prolongado tratamento médico. Ainda hoje, toma anticoagulantes. Do seu dossier clínico, consta apenas um problema de hipertireoidismo.

Em contraponto, em agosto, o médico pessoal de Trump desde os anos 80, reconheceu que se limitou a escrever a carta em que afirma ser o republicano "o indivíduo mais saudável a ser eleito presidente" dos EUA, sem realizar quaisquer exames. Só "para deixar a campanha [de Trump] contente". Donald Trump tem 70 anos.

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