Sánchez estende mão a Ciudadanos e a Podemos: "Une-nos a mudança"

Líder socialista diz que se Rajoy não conseguir ser reeleito procurará chegar à Moncloa com apoios à esquerda e à direita

O secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, admitiu ontem pela primeira vez que tentará ser o próximo primeiro-ministro espanhol com o apoio do Ciudadanos e do Podemos. "Une-nos a mudança", afirmou. Mas o desejo de formação de um governo tripartido, caso Mariano Rajoy não consiga o apoio para a reeleição, embate na negativa em negociar determinados temas com as formações emergentes: o contrato único no caso do partido de Albert Rivera ou o referendo catalão no de Pablo Iglesias.

"Queremos entendermo-nos com Podemos e Ciudadanos. Queremos construir pontes à esquerda e à direita porque há um plano de ação que compartilhamos em matéria de reformas", disse Sánchez, depois da reunião de uma reunião da liderança socialista. Entre os "pontos em comum" que se podem encontrar, destaca os temas "em matéria económica, em medidas de regeneração democrática e na reforma da Constituição".

Até agora, o Ciudadanos mostrou-se contra a possibilidade de apoiar um governo socialista e um pacto à portuguesa (aliança de esquerdas). "Em Portugal não há nenhum partido que queira romper Portugal em nenhum acordo de governo", afirmou na semana passada, referindo-se ao facto do Podemos insistir num referendo na Catalunha. Da parte do partido liderado por Pablo Iglesias, este parece ser uma condição inegociável.

Sánchez recusa entretanto qualquer apoio dos independentistas catalães - o ex-presidente da Generalitat, Artur Mas, mostrou-se disponível para apoiar com os oito deputados eleitos pela coligação que inclui a Convergência Democrática da Catalunha um governo que resulte no fim do executivo de Rajoy.

O secretário-geral do PSOE ainda não começou a negociar com os partidos emergentes, estando para já concentrado na composição da nova direção do Congresso. O líder socialista confirmou oficialmente que o candidato do partido para a presidência da câmara baixa do Parlamento é o ex-lehendakari (líder do governo basco) Patxi López.

Toda esta discussão decorre ao mesmo tempo que o próprio Sánchez está a ser posto em causa pelos socialistas. "O tempo dos espanhóis é o tempo do PSOE", indicou o secretário-geral, que se opõe à realização do congresso socialista (e eventual eleição de novo líder) enquanto não estiver decidido quem fará parte do próximo governo. "A primeira coisa a clarificar é o calendário institucional", acrescentou.

A partir de amanhã, quando os deputados eleitos a 20 de dezembro tomam posse, começa a contar o prazo de três meses para a investidura do primeiro-ministro. Caso não haja acordo, será necessário convocar novas eleições. O Comité Federal do PSOE vai reunir no dia 30 de janeiro, devendo decidir então a data do próximo congresso.

CALENDÁRIO

Amanhã: Tomada de posse dos novos deputados espanhóis e início do prazo de três meses para investir governo.

30 de janeiro: Comité Federal do PSOE para marcar congresso e eleger novo líder.

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