Abdeslam diz que não sabia dos atentados de Bruxelas e já quer ser extraditado

O suspeito dos atentado de Paris mudou de ideias: já quer ser enviado para França e "não colaborará" com as autoridades belgas

O suspeito dos atentado de Paris Salah Abdeslam não sabia dos atentados de Bruxelas e quer ser extraditado para França "o mais rapidamente possível", revelou esta quinta-feira o seu advogado, Sven Mary. Depois de ter dito que ia tentar evitar a extradição e que estava disposto a colaborar com as autoridades belgas, Abdeslam parece ter mudado de ideias e diz agora que não se vai opor ao pedido de França.

Sobre os atentados de Bruxelas, que esta terça-feira mataram pelo menos 31 pessoas e fizeram mais de 200 feridos, Sven Mary afirmou que Abdeslam não lhe disse nada "porque não sabia", em resposta a um jornalista do Channel4. No entanto, dois dos atacantes, os irmãos el-Bakraoui, que se fizeram explodir no aeroporto e no metro, teriam ligações a Abdeslam, segundo as autoridades. Também se tem especulado que a prisão de Abdeslam pode ter precipitado o ataque em Bruxelas.

"Salah Abdeslam disse-me que quer ir para França o mais rapidamente possível. Vou pedir ao magistrado da investigação que não se oponha à sua partida", sublinhou Sven Mary, em declarações à rádio Europe 1. Até lá, acrescentou, Abdeslam "permanecerá calado" e "não colaborará" com as autoridades belgas na investigação do atentado de terça-feira em Bruxelas. As declarações foram feitas à saída do tribunal, onde o advogado pediu que a audiência fosse adiada para 7 de abril.

Abdeslam foi capturado na sexta-feira passada, numa operação no bairro de Molenbeek, em Bruxelas, e encontra-se detido numa prisão de segurança máxima. Era procurado pelas autoridades europeias há meses, depois de ter sido implicado nos atentados de 13 de novembro em Paris, que fizeram 130 vítimas. Pensa-se que era o último dos atacantes vivo - sete morreram no próprio dia.

Sven Mary explicou que, terça-feira, dia dos atentados, os investigadores do atentado de Paris falaram com Abdeslam, após o que o suspeito pediu para o ver com urgência, altura em que lhe comunicou a decisão de aceitar a extradição para França, "para se explicar".

O presumível terrorista não prestou quaisquer declarações aos investigadores quando compareceu, já no sábado, perante um juiz de instrução.

O advogado de Abdeslam foi agredido quarta-feira à tarde por uma pessoa que o criticou por defender o presumível terrorista.

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