Saiba quem é a primeira muçulmana a chegar ao Congresso

Rashida Tlaib ganhou a nomeação dos Democratas para substituir o congressista republicano John Conyers, de 89 anos, que se demitiu por razões de saúde e sob suspeita de assédio sexual.

Filha de pais palestinianos que emigraram para os EUA, Rashida Tlaib, de 42 anos, casada e mãe de dois, sabe que concorrerá sem oposição em novembro ao lugar de Conyers - pelo que a sua eleição para a Câmara dos Representantes está virtualmente garantida. A posse ocorrerá em janeiro.

Na terça-feira conquistou a nomeação dos Democratas - partido que já representava no congresso estadual do Michigan, onde aliás também foi a primeira mulher muçulmana a ter assento (a partir de 2008). No Michigan, Rashida ajudou a garantir milhões de dólares para serviços gratuitos de saúde, refeições para idosos servidas ao domicílio, e ensino.

No discurso com que celebrou a nomeação, Rashida atacou fortemente Donald Trump e as suas políticas de imigração. "Lutarei contra todas as estruturas racistas e opressivas que necessitem de ser desmanteladas", afirmou. "Lutarei contra tudo o que é tão anti-americano e que tem tido origem nesta administração [de Trump]. A minha avó ensinou-me que nunca se pode deixar um rufia dizer-nos 'podes fazer isto' ou 'não podes fazer aquilo."

Citada pelo New York Times, a futura congressista assinalou que a sua nomeação prova que nos EUA "não é preciso uma pessoa deixar de ser quem é para se candidatar a um lugar público" - e "isto são os EUA".

"Sou filha de imigrantes e quero que aqueles que vêm para as nossas fronteiras em busca de uma vida melhor tenham as mesmas oportunidades que eu tive."

Em 2016, Rashida Tlaib, licenciada em Direito, foi expulsa de um almoço oficial em Detroit (cidade onde nasceu em julho de 1976) por ter atacado Trump, então apenas candidato presidencial, devido às suas políticas e à forma como tratava as mulheres.

"Sou filha de imigrantes e quero que aqueles que vêm para as nossas fronteiras em busca de uma vida melhor tenham as mesmas oportunidades que eu tive", afirma a futura congressista. "Devemos fornecer um roteiro claro para a cidadania para todos os americanos indocumentados, devemos desmantelar a nossa máquina de deportação e os centros de detenção e devemos melhorar o acesso à justiça para os imigrantes, valendo-se de nosso sistema legal."

No Congresso, promete lutar pela mudança nas políticas de imigração. Também quer aumentar o salário mínimo para 15 dólares/hora (12,9 euros). Atualmente, não passa dos 7,25 dólares (6,25 euros), batalhar pela igualdade salarial entre homens e mulheres e evitar cortes na Segurança Social e nos programas Medicaid e Medicare (programas de saúde para os mais idosos e desfavorecidos). Já existem dois políticos muçulmanos na Câmara dos Representantes, Andre Carson (eleito pelo Indiana) e Keith Ellison (Minnesota). Ambos representam o Partido Democrata.

Rashida Tlaib é a mais velha de 14 irmãos. A sua mãe nasceu perto de Ramalá, na Cisjordânia, e o pai num subúrbio de Jerusalém. Depois de chegar aos EUA, o pai, tornou-se, em Detroit, operário nas linhas de montagem da Ford.

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