"Saiam, agora!" Florence perde força mas há dez milhões em alerta na costa leste dos EUA

Autoridades alertam que quem insistir em ficar, estará por conta própria. Furacão baixou para categoria 2 (numa escala de cinco) mas deve atingir esta quinta-feira a Carolina do Norte com ventos de 175 km/h

Nas últimas horas, o furacão Florence perdeu força, mas dez milhões de americanos continuam em alerta em estados como a Carolina do Norte, a Carolina do Sul, Virgínia, Maryland, George e também Washington DC.

"Saiam agora. Estão a pôr a vossa vida em risco se não saírem", alertou o governador da Carolina do Norte, Ray Cooper. Citado pela CNN, o governante avisou ainda para os residentes do seu estado não pensarem em sair quando os ventos e as chuvas já tiverem começado. Até agora mais 1,7 milhões de pessoas já deixaram as suas casas nas zonas que serão atingidas pelo Florence e as autoridades garantem que quem decidir ficar estará por sua conta.

Reduzido a categoria 2 (numa escala de 5), o Florence perdeu força, com os ventos a baixarem para 175 km/h, mas não deixa de ser considerado potencialmente mortífero. Ao mover-se de forma mais lenta, o furacão leva os especialistas a temer que permaneça mais tempo sobre as zonas afetadas, provocando grandes inundações durante vários dias, podendo ainda atingir estados como o Alabama, Tennessee, Kentucky e Virgínia Ocidental.

"O tempo para se prepararem está a terminar", disse ainda Ray Cooper, garantindo: "O desastre está à porta e está a chegar".

O maior perigo, garantem os meteorologistas, continua a ser a subida repentina da água do mar, que poderá chegar a quatro metros em algumas zonas e as chuvas que deverão a um metro.

"Esta deverá ser a tempestade de uma vida em algumas zonas da Carolina do Norte", admitiu o National Weather Service, admitindo que o Florence seja mais perigoso do que antecessores como o Diana, Hugo, Fran, Bonnie, Floyd e Matthew. Já Jeff Byard, da Agência Federal de Gestão de Emergências, comparou o Florence a "um murro de Mike Tyson na costa da Carolina

Que danos pode causar?

Segundo uma avaliação feita pela empresas de análise CoreLogic, são de esperar danos que poderão ascender a mais de 170 mil milhões de dólares, com a destruição de 750 mil habitações e negócios.

As empresas de energia também já alertaram que vastas zonas dos estados mais atingidos poderão ficar sem eletricidade, talvez durante semanas.

Perante esta perspetiva, os últimos dias têm sido de corrida às bombas de gasolina para abastecer os carros e aos supermercados, onde muitas prateleiras já estão vazias depois de os residentes terem corrido a encher as despensas.

Nas ruas das zonas costeiras, a maior parte das casas têm as janelas tapadas por placas de madeira.

Visto de cima, o Florence impõe respeito. Basta olhar para as fotos partilhadas pelo astronauta alemão Alexander Gerst no Twitter:

Apesar de todos os alertas para sair, há sempre quem insista em ficar. Em Wilmington, na Carolina do Norte, Richard King, de 64 anos, a mulher, de 60, e umas seis dezenas de vizinhos optaram por ficar. O casal tem uma casa construída em altura, a 1,5 km da costa e pensada para resistir a ventos de mais de 225 km/h. "Somos uma boa comunidade aqui. Vamos ficar unidos e tomar conta uns dos outros", afirmou Richard à BBC.

Vídeo de Trump

O presidente Donald Trump tem acompanhado a evolução do furacão Florence. Numa mensagem em vídeo, Trump garantiu: "Este vai ser um dos maiores que já atingiu o nosso país. Proteger as vidas dos americanos é a prioridade absoluta".

Trump já na segunda-feira alertara que o Florence é "tremendamente grande" e "tremendamente molhado".

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