Rússia responde a Trump: resolvam o problema dos emails sozinhos

Kremlin recusou o convite de Trump de invadir a conta de Hillary Clinton e acusou os Estados Unidos de estarem a brincar ao estilo da guerra fria

A Rússia rejeitou o convite de Donald Trump de invadir o email de Hillary Clinton e mandou uma mensagem aos Estados Unidos: resolvam o problema dos piratas informáticos sozinhos.

"Em relação a estes [emails], essa dor de cabeça não é nossa", afirmou o porta-voz de Kremlin Dmitry Peskov, esta quinta-feira.

"Nós nunca metemos o nariz nos assuntos dos outros e realmente não gostamos quando as pessoas tentam meter os seus narizes nos nossos", continuou. "Os americanos têm de descobrir" o que aconteceu aos emails "eles próprios".

O candidato republicano convidou esta quarta-feira a Rússia a descobrir os emails apagados de Hillary Clinton que provam que a antiga secretária de estado enviou correspondência importante e restrita pela conta pessoal.

O conflito sobre expiação informática começou porque os media norte-americanos acusaram Moscovo de ter invadido a rede de computadores do Comité do Partido Democrata, o que a Rússia nega veemente ter feito. Dmitry Peskov descreveu hoje estas acusações como "totalmente estúpidas".

Por sua vez, a Rússia acusa os políticos norte-americanos de estarem a brincar ao estilo da guerra fria, aproveitando-se dos receios que os americanos têm em relação a Moscovo, para inventar histórias e ganhar as eleições.

Nos últimos dias, Barack Obama afirmou que a Rússia poderia estar a tentar intrometer-se nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Putin, que no passado descreveu Donald Trump como sendo "muito talentoso", tem tentado parecer imparcial, escondendo qualquer inclinação para algum dos candidatos presidenciais, apesar de a televisão do estado fazer uma cobertura que parece favorecer Trump, segundo a Reuters.

Esta quarta-feira, Trump afirmou que se fosse presidente dos Estados Unidos a relação entre os dois países seria muito melhor, após ter dito no passado que poderia reconhecer Crimeia, o território ucraniano anexado à força pela Rússia em 2014, como um território russo.

Alguns especialistas afirmaram à Reuters que a vitória de Trump seria favorável à Rússia porque o candidato republicano tem elogiado várias vezes a capacidade de liderança e as ações de Putin.

Peskov garantiu esta quinta-feira que o Kremlin não fica comovido com as declarações de Trump e que se mantém neutro nestas eleições.

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