Rússia organiza em setembro as maiores manobras militares desde a Guerra Fria

Durante quatro dias, vão estar destacados mais de mil aviões e cerca de 300 mil militares

A Rússia organiza em setembro as maiores manobras militares desde os anos 1980, que vão mobilizar quase 300.000 militares e unidades da China e da Mongólia, anunciou hoje o ministro da Defesa russo.

"Vai parecer Zapad-81, mas mais imponente de uma certa maneira", disse o ministro, Serguei Shoigu, referindo-se às manobras militares de 1981 na Polónia, as maiores alguma vez realizadas pela então União Soviética.

Os exercícios militares Vostok (leste) 2018 realizam-se entre 11 e 15 de setembro na Sibéria Oriental e no Extremo Oriente e vão contar com a participação de unidades das forças armadas chinesa e mongol, precisou o ministro, citado pelas agências russas.

"Mais de 1.000 aviões e cerca de 300.000 militares, ou seja, praticamente todas as forças dos distritos militares Centro e Oste" vão participar nas manobras.

"Imaginem 36.000 engenhos militares a deslocarem-se em simultâneo: tanques, blindados de transporte de tropas, veículos de combate de infantaria. E tudo isso, claro, numa situação tão próxima de uma situação de combate quanto possível", disse Shoigu.

Em 2017, os exercícios Zapad (oeste) mobilizaram 12.700 militares na Rússia e na Bielorrússia, segundo Moscovo.

Segundo a NATO, esses exercícios foram minimizados por Moscovo, tendo envolvido mais de 100.000 homens.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.