Rússia culpa rebeldes pelo ataque químico que matou 72 pessoas

Rússia diz que regime sírio bombardeou depósito onde rebeldes guardavam armas químicas

A Rússia afirmou hoje que a aviação síria bombardeou na terça-feira, durante uma hora, um depósito de armas dos rebeldes onde estava uma fábrica de produção de armas "tóxicas". Este ataque terá resultado na libertação de gás que provocou a morte a 72 pessoas, incluindo 20 crianças.

"Segundo os meios russos de controlo do espaço aéreo, ontem [terça-feira], entre as 11:30 e as 12:30, hora local, a aviação síria bombardeou na zona de Khan Cheikhoun um grande depósito de armamento dos terroristas (...). Na zona desse depósito encontrava-se uma fábrica para produção de minas com substâncias tóxicas", informou o porta-voz do Ministério de Defesa russo, Igor Konashenkov.

O governante disse ainda que os rebeldes usaram armas químicas em Aleppo no ano passado. "Os sintomas das vítimas em Khan Cheikhoun mostrados em vídeos nas redes sociais são os mesmos dos visto em outono do ano passado em Aleppo", continua Igor Konashenkov, num vídeo.

A Rússia negou na terça-feira que a sua aviação tivesse bombardeado a zona e realizado um ataque contra os rebeldes, depois de o Observatório Sírio para os Direitos Humanos ter denunciado um ataque químico que matou dezenas de pessoas.

Os Estados Unidos e outros países culparam publicamente o regime do presidente Bashar al-Assad por estas mortes.

"Todas as provas que vi indicam que foi o regime de Assad e com total conhecimento sobre o uso de armas ilegais, num ataque bárbaro contra as pessoas", disse o ministro dos Negócios estrangeiros britânico, Boris Johnson.

Donald Trump, por sua vez, afirmou que os "atos atrozes" de Al-Assad "são consequência da debilidade e indecisão" demonstradas pelo seu antecessor Barack Obama.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos afirmou, segundo a Reuters, que não cessaram os bombardeamentos aéreos na província de Idlib, onde ocorreu o ataque químico. Esta quarta-feira ocorreram mais cinco ataques aéreos na zona.