Rússia à caça dos autores de ataque em São Petersburgo

Uma bomba explodiu numa carruagem entre duas estações de metro, fazendo 11 mortos. Outra foi desativada. Estado Islâmico, rebeldes chechenos ou ambos?

As autoridades russas montaram uma caça ao homem para encontrar quem esteve por detrás do ataque terrorista contra o metro de São Petersburgo, que matou 11 pessoas e deixou pelo menos 40 feridas esta segunda-feira. Um engenho explodiu no interior de uma carruagem e uma segunda bomba foi deixada na estação de Ploshchad Vosstaniya, tendo sido desativada pela polícia, segundo a agência de notícias Interfax.

O atentado não foi reivindicado, mas a Rússia foi alvo de ameaças do Estado Islâmico (por causa da Síria) e os rebeldes chechenos já atacaram no passado o metro (de Moscovo), sendo que tem havido uma aproximação entre os dois grupos.

A bomba explodiu entre as estações de Sennaya Ploshchad e Tekhnologichesky Institut e, segundo a referida agência, poderá ter sido detonada por um suicida. A Interfax ao fim da noite citava fonte policial dando conta que restos mortais de um homem que foram encontrados na zona têm vestígios que apontam para que se trate do bombista, ainda que a sua identificação só possa ser feita após testes de ADN.

O engenho, que segundo os media russos continha TNT e estilhaços para se tornar mais letal, estaria dentro de uma pasta. Já na estação de metro de Ploshchad Vosstaniya, a bomba que foi desativada pelas autoridades tinha sido escondida debaixo de um extintor. Continha cerca de um quilo de TNT, mais do que o primeiro engenho que explodiu, de acordo com os media russos.

O atentado ocorreu numa altura em que o presidente russo, Vladimir Putin, estava na sua cidade natal para um fórum da Fundação Verdade e Justiça e para um encontro com o presidente bielorrusso, Aleksandr Lukashenko. A explosão sucedeu entre os dois eventos, com Putin a reagir de imediato, dizendo que já tinha falado com os responsáveis dos serviços de segurança. "As causas [da explosão] ainda não são claras, é muito cedo. Vamos analisar todas as causas possíveis, terrorismo ou crime comum", indicou.

O Comité Nacional Antiterrorista, responsável pela investigação de grandes crimes, abriu um inquérito por terrorismo. A Rússia tem sido alvo de vários atentados contra os sistemas de transporte, alguns até recorrendo a bombistas suicidas, que são depois reivindicados ou atribuídos a rebeldes separatistas da região do Norte do Cáucaso, de maioria muçulmana. Mas podem não ter agido sozinhos. No ano passado, o Estado Islâmico lançou um apelo num vídeo a ataques em solo russo. "Ouve Putin, nós vamos chegar à Rússia e matar-vos nas vossas próprias casas", dizia a mensagem. Moscovo apoia no terreno o presidente sírio, Bachar al-Assad, no combate ao Estado Islâmico.

"Não havia luz, havia sangue"

Polina estava de pé numa carruagem do metro que acabava de sair da estação de Sennaya Ploshchad, em São Petersburgo, quando ouviu um "barulho ensurdecedor", seguido de um "forte odor e fumo". Ao seu lado, duas mulheres sentiram-se mal e caíram no chão, mas a composição continuou a andar até à próxima estação, Tekhnologichesky Institut. Foi então que conseguiram sair e ver "que a carruagem ao lado estava danificada, os vidros partidos, não havia luz e havia sangue", contou Polina ao jornal Bumaga, traduzida pela BBC.

Os media russos divulgaram vídeos captados por testemunhas com o telemóvel. Num deles, veem-se as pessoas a sair pelas janelas e a ajudar os feridos. Segundo a ministra da Saúde, Veronika Skvortsov, sete pessoas morreram no local, uma a caminho do hospital e outras duas já nas urgências. Mais tarde foi confirmada outra vítima mortal e 45 pessoas foram hospitalizadas, havendo seis feridos graves. Foram decretados três dias de luto.

O maquinista está entretanto a ser elogiado por ter continuado a viagem até à estação seguinte. "O maquinista atuou de forma sensata numa situação complicada. A explosão ocorreu entre duas estações, mas ele tomou a decisão absolutamente correta de não parar até chegar à estação. Isto permitiu começar a evacuação de imediato e ajudar os feridos", indicou o Comité Nacional Antiterrorismo.

A comunidade internacional apressou-se entretanto a condenar o ataque, solidarizando-se com o povo russo. A França, que tem sido alvo dos extremistas islâmicos, anunciou também um reforço de segurança para Paris. Com RSF

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