Rui Tavares e Boaventura de Sousa Santos juntam-se a novo movimento de Varoufakis

Portugueses estão entre os subscritores do manifesto do DiEM25, apresentado amanhã em Berlim pelo ex-ministro das Finanças grego.

Hora: 20.30. Local: Berlim. Protagonista: Yanis Varoufakis. O ex-ministro das Finanças grego apresenta amanhã o seu novo movimento Democracia na Europa 2025, ou DiEM25. Vindo da parte do homem que ganhou fama mundial tanto por chegar ao seu primeiro Eurogrupo sem gravata e de cachecol Burberry ou por percorrer as ruas de Atenas de mota quando se deslocava até aos conselhos de ministros como por desafiar Bruxelas e sobretudo o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, não espanta a escolha da capital alemã para lançar um movimento pan-europeu que advoga a "democratização da União Europeia" como única forma de evitar a "desintegração" do projeto europeu.

Dando a si próprios uma década para mudar a Europa, os subscritores do manifesto do DiEM25 - entre os quais o economista americano James K. Galbraith, o fundador da Wikileaks, Julian Assange, mas também dois portugueses: o ex-eurodeputado e fundador do Livre, Rui Tavares, e o sociólogo de Coimbra Boaventura de Sousa Santos - querem começar já a tornar mais transparente o processo de decisões de Bruxelas. Uma das medidas passa pela transmissão em direto das reuniões de organismos como o Eurogrupo, cujas reuniões o próprio Varoufakis chegou a gravar quando era ministro.

Empenhado em encontrar soluções para as crises que afetam o continente europeu - da financeira à dos refugiados -, o DiEM25 defende a criação nos próximos dois anos de uma Assembleia Constituinte, à qual devem ser apresentadas candidaturas transnacionais. O objetivo é a elaboração de uma Constituição Democrática que substituiria todos os tratados europeus. A longo prazo, a ideia é em 2025 ter devolvido aos povos o controlo da União Europeia.

Em termos práticos, como o próprio Varoufakis explicou no seu blogue, o DiEM25 pretende encontrar "formas de se exprimir, inclusive através de eleições [...] a nível local, regional e nacional, eventualmente também nas eleições para o Parlamento Europeu".

Entre entrevistas e conferências

Com este regresso à política, Varoufakis surpreende os que apostavam que, depois de sair do governo de Alexis Tsipras, o economista voltaria à vida académica. Estrela do executivo Syriza, demitiu-se em julho, depois da vitória do não no referendo às medidas de austeridade que Bruxelas queria impor a Atenas e do volte-face de Tsipras, ao assinar o acordo para um terceiro resgate. Passou então a ser uma das vozes mais críticas do primeiro-ministro. Tanto que em agosto, já só deputado, juntou-se aos dissidentes do Syriza que votaram contra o terceiro resgate.

Já fora do Parlamento, desde setembro Varoufakis tem-se desdobrado em entrevistas e palestras, uma delas na universidade de Coimbra, em outubro, sobre a tal democratização da zona euro que parece ter inspirado o DiEM25. Colunista de vários jornais, entre os quais o DN, e conferencista muito procurado, a polémica sobre os valores que cobra não tardou, com o jornal grego Proto Thema a garantir que recebia 53 mil euros para fazer uma comunicação fora da Europa. Para acabar com os boatos, o economista respondeu com a campanha "Transparência em todo o lado!", divulgando no seu blogue quanto recebeu por cada uma das conferências em que participou.

Denunciando uma campanha contra ele veiculada pela "imprensa amiga da troika", Varoufakis elaborou uma lista dividida em duas: os eventos pelos quais não cobrou nada - como foi o caso da conferência em Coimbra e dois em que participou para ganhar dinheiro "para manter a minha independência económica em relação aos interesses estabelecidos" -, uma presença na televisão italiana pela qual recebeu 24 mil euros líquidos e um discurso em Singapura pelo qual cobrou 28,8 mil euros.

Agora, de regresso à política, resta saber se Varoufakis voltará a ser candidato. Ao Parlamento Europeu nas próximas eleições em 2019? Talvez.

Ler mais