Robert Mueller quer terminar investigação de 'trama russa' até setembro

O procurador que tem em mãos a investigação sobre a alegada ingerência russa nas eleições presidenciais americanas avançou a data, mas os advogados de Donald Trump estão preocupados com as eleições intercalres de novembro

O procurador especial que lidera a investigação à alegada ingerência russa nas últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos, Robert Mueller, planeia terminar a investigação até ao dia 1 de setembro, revelou hoje um dos advogados do presidente norte-americano.

Rudolph Giuliani, um dos elementos da equipa de advogados de Donald Trump, considerou, em declarações ao jornal The New York Times, que prolongar a investigação poderia influenciar as eleições intercalares de novembro.

"Não se deseja repetir as eleições de 2016, nas quais foram divulgados no final relatórios negativos e não se sabe como isso pode afetar as eleições", afirmou o antigo presidente da câmara de Nova Iorque.

Rudolph Giuliani referia-se ao efeito que tiveram na última campanha eleitoral as revelações do então diretor do FBI, James Comey, de que iria iniciar investigações sobre o uso de um servidor privado de 'email' da candidata a Presidente dos Estados Unidos Hillary Clinton para comunicações oficiais quando era secretária de Estado.

De acordo com o advogado, Robert Muller divulgou há duas semanas o calendário da investigação, como parte das negociações sobre se Donald Trump será interrogado.

As possíveis manobras de Donald Trump nas investigações sobre a chamada 'trama russa' são uma das vertentes do caso, além do papel que o presidente dos Estados Unidos pode ter tido.

A 4 de maio, o presidente norte-americano disse que "adoraria falar" com Robert Mueller, mas para tal acontecer exige ser tratado de forma justa.

"Preciso de saber se vamos ser tratados de forma justa, porque neste momento é uma pura caça às bruxas", frisou.

As declarações de Trump surgiram numa altura em que começou a ser aconselhado juridicamente por Rudolph Giuliani.

Giuliani advertiu Trump sobre as consequências de uma possível reunião com Mueller e sugeriu que o Presidente norte-americano precisa de estabelecer limites em relação ao seu nível de cooperação.

No início de maio, o diário norte-americano The New York Times revelou as cerca de 50 perguntas que Robert Mueller gostaria de colocar a Trump sobre as alegadas ligações da sua equipa aos russos.

Numa outra notícia avançada pelo jornal The Washington Post, o procurador especial terá equacionado, no início do mês de março, a hipótese de intimar Trump a depor. Segundo revelou o mesmo jornal, a possibilidade foi levantada durante uma reunião com a equipa de advogados do Presidente.

A vontade de Trump de afastar Mueller também tem sido regularmente noticiada pelos media norte-americanos.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

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