Risco de confrontos militares aumentou no mundo

O risco de conflitos políticos, económicos e militares aumentou consideravelmente, segundo um relatório do Fórum de Davos, cuja reunião anual decorre na próxima semana.

O Global Risks Report enumera vários perigos para 2018, desde os ataques informáticos às ameaças ambientais, mas o elemento mais saliente é a chamada de atenção para o que define como um aumento importante do risco de conflito militar, resultado da escalada verbal entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte devido aos testes nucleares e a sucessivos disparos de mísseis balísticos pelo regime liderado por Kim Jong-un.

O relatório do Fórum de Davos, cuja reunião anual decorre entre 23 e 26 de fevereiro, na cidade suíça com este nome, resulta das contribuições de mais de mil empresários, universitários, banqueiros, figuras políticas e organizações não-governamentais, e aponta para um agravamento de 93% das condições que podem levar a conflitos políticos e económicos. Dos inquiridos, 79% considera mais provável a eclosão de conflito militar, não só devido à situação na península coreana como ao agravamento de tensões no Médio Oriente. E 40% pensa que este risco se acentuou consideravelmente.

O relatório chama a atenção para decisões unilaterais como as tomadas pelo presidente Donald Trump em retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima, pôr em causa acordos de comércio internacional, como a Parceria Transpacífica, ou de renegociar outros, como o de comércio livre com o Canadá e o México, considerando que aquelas comprometem a eficácia dos mecanismos multilateralistas, que define como essenciais para a resolução dos conflitos internacionais. O documento considera também errada a postura de Trump na questão do acordo sobre o nuclear do Irão. Para o responsável da consultora Marsh, que compilou o relatório, John Drzik, "os riscos com que é necessário lidar requerem soluções multilaterais, e estamos a deslocar-nos na direção oposta".

O Global Risks Report, pelo lado positivo, destaca a recuperação económica a que se está a assistir a nível internacional, mas não deixa de chamar a atenção para o "problema corrosivo" das desigualdades no plano dos rendimentos e para um possível sentimento de complacência devido à boa conjuntura.

Donald Trump estará presente no Fórum de Davos, pronunciando um discurso no último dia. Trump é o segundo presidente dos EUA a deslocar-se a Davos e, além da sua intervenção, pretende reunir-se com empresários, disse à Reuters o fundador do Fórum, Klaus Schwab. O primeiro presidente americano em Davos foi Bill Clinton, em 2000.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.