"Depois disto, nem pensar em andar de metro", diz portuguesa em Londres

Emigrante, que vive em Londres há 29 anos, diz que filha e neto costumam apanhar o metro na linha onde foi colocado um engenho explosivo

A portuguesa Maria Noélia de Sousa, residente, há 29 anos, em Fulham, Londres, contou hoje à Lusa que, depois do atentado desta manhã no metropolitano londrino, dificilmente voltará a andar de metro na capital britânica.

"Eu já tinha medo de andar de metro, mas depois disto, nem pensar", explicou a trabalhadora de limpezas, cuja principal preocupação na altura do atentado foi o estado dos filhos, que costumam usa a linha que foi esta manhã surpreendida por uma explosão.

"Estava no hospital quando soube o que se tinha mais passado e fiquei preocupada com a minha filha, que costuma apanhar o metro nessa altura", explicou a madeirense, natural de Machique.

A filha não assistiu ao atentado, e o filho, que geralmente apanha o metro da linha acidentada perto das 08:00, hoje não tinha aulas e portanto ficou em casa.

"Estou um bocadinho assustada. Fulham é uma área tranquila, mas uma pessoa já não se sente segura em lado nenhum", desabafou a portuguesa em declarações à Lusa, em Londres, a cerca de 100 metros da estação de metro cuja circulação ainda se encontra suspensa.

O perímetro de segurança mantém-se em funcionamento, com cerca de 100 metros e todos os moradores e condutores que tenham a viatura dentro deste 'cordão de segurança' são acompanhados pela polícia, constatou a Lusa no local.

Os helicópteros continuam a sobrevoar a zona, mas os bombeiros estão a afastar-se da estação de metro, o que parece indicar que há um redução da atividade e que a investigação está a caminhar para a fase final.

As chamas deflagraram, às 08:21 (hora local), num balde de plástico depois de se ter sentido uma explosão, no interior de um comboio com capacidade para transportar 865 passageiros.

As autoridades já tinham anunciado que estão a lidar da ocorrência no quadro de um "ato terrorista" que provocou uma explosão e "bolas de fogo" no interior da composição que se encontrava na estação de Parssons Green.

Parte da circulação na linha Distritct, sudoeste de Londres, onde se situa Parssons Green, foi parcialmente suspensa, entre as estações de Wimbledon e Earls Court.

Um passageiro entrevistado pela BBC disse que ouviu uma "explosão muito forte" e que viu "pessoas com ferimentos leves, queimaduras na cara, braços e nas pernas".

A primeira-ministra britânica, Theresa May, convocou uma reunião de emergência em que vão estar presentes, durante a tarde, os principais ministros.

No Reino Unido registaram-se vários atentados desde janeiro, como o ataque de março frente ao Parlamento, em Londres; o ataque no estádio Arena, em Manchester, no mês de maio; e em junho numa mesquita a norte da capital britânica.

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