Relatório arrasador do FMI sobre Angola era falso

Suposto documento do FMI, carregado de erros ortográficos, fazia considerações sobre "pilhagem" de recursos pesqueiros por chineses e vietnamitas ou o impacto da carga fiscal no consumo de "produtos com elevado risco para a saúde" da população

Um suposto relatório do Fundo Monetário internacional (FMI) com conclusões arrasadoras sobre o estado da economia angolana, posto ontem a circular pelas redes sociais, é falso. A informação foi avançada pela ANGOP, a agência oficial de notícias de Angola.

A ANGOP, que descreve o documento como um "ataque anónimo contra o governo angolano", cita uma fonte oficial confirmando que o relatório é "completamente falso" e acrescenta saber que a representação no país do FMI "não é uma missão de avaliação" nem tem por objetivo fazer esse tipo de análises.

O FMI ainda não reagiu oficialmente a esta questão. No entanto, a simples análise do documento permite duvidar da sua autenticidade. Além de estar escrito em mau português, com a quase inexistência de pontuação e outros erros gramaticais grosseiros, o suposto relatório está carregado de considerações que dificilmente teriam lugar numa apreciação do FMI, como as denúncias de um "retrocesso do século 20 para o 19 no segmento campesino", a "pilhagem de vários anos por chineses e vietnamitas" dos recursos pesqueiros do país ou ainda a "necessidade da redução de impostos que levam a criar desemprego, perra (sic) de recitas (sic) fiscais e a população a consumir produtos com elevado risco para a saúde".

O estado angolano chegou a um acordo com o FMI, em dezembro, para concessão de um crédito da ordem dos 3, 26 mil milhões de euros destinado a incentivar o setor privado e assegurar a estabilidade fiscal do país e, desde então, a posição das agências em relação ao país tem sido de expectativa de crescimento, ainda que com algumas cautelas.

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