Registados disparos durante a noite em Brazzaville

Eleições presidenciais do Congo realizaram-se a 20 de março. Oposição fala em fraude

Habitantes de bairros do sul de Brazzaville, na República do Congo (Congo-Brazzaville), acordaram esta noite com o barulho de disparos de armas automáticas e de explosões provocadas por armamento pesado, noticia a AFP.

Segundo testemunhos, os disparos começaram entre as 02:00 e as 03:00 horas (mesma hora em Lisboa) no bairro de Makélékélé, onde a esquadra da polícia foi incendiada.

Por volta das 08:15 ainda era possível ouvir alguns disparos, segundo as testemunhas.

Sassou Nguesso foi declarado vencedor das eleições de 20 de março, boicotadas pela imprensa, depois de 32 anos de poder, numa votação que a oposição considera ter sido marcada por fraude.

Quatro dos candidatos da oposição, derrotados nas recentes eleições presidenciais do Congo, pediram à população que conteste a reeleição do Presidente Denis Sassou Nguesso, por meios legais e "pacíficos", segundo um documento divulgado a 26 de março.

O documento, citado pela agência France Presse, é assinado por Guy-Brice Parfait Kolelas, que obteve mais de 15 por cento dos votos expressos, pelo terceiro candidato mais votado, Jean-Marie Michel Mokoko (perto de 14 por cento), e pelos candidatos Caludine Munari e Andre Okombi Salissa.

Nguesso foi Presidente de 1979 a 1992 e voltou ao poder em 1997, após uma guerra civil. Ganhou as eleições em 2002 e 2009, mas os resultados foram contestados pelos partidos da oposição, em ambas.

Apesar de o Congo ter registado um crescimento de cinco por cento ao longo dos últimos cinco anos (até 2014), a maioria da população vive em extrema pobreza.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?