"Rebeldes com liberdade como causa" - o grupo que reivindica ataque a Maduro

O grupo Soldados de Franelas garantiu no Twitter ser o autor da Operação Fénix contra o presidente venezuelano

"A operação era sobrevoar com dois drones carregados com (explosivo) C4 o palco presidencial, francoatiradores da guarda de honra derrubaram os drones antes de chegarem ao objetivo. Mostrámos que são vulneráveis, não se conseguiu hoje mas é uma questão de tempo", escreveram os Soldados de Franelas no Twitter.

O grupo anónimo venezuelano que reivindicou o ataque com drones - a que chama Operação Fénix - contra o presidente Nicolás Maduro - do qual este saiu ileso mas que fez sete feridos entre os guardas de honra - descreve-se no Twitter como "militares e civis patriotas e leais ao povo da Venezuela baseados em argumentos legais e constitucionais".

Na mesma rede social, o grupo garante ter o apoio de "oficiais, suboficiais e soldados" que estarão "dispostos a oferecer as suas vidas" para derrubar o presidente Maduro. E garantem ser "soldados rebeldes com a liberdade como causa".

"Franela" pode traduzir-se literalmente por "flanela". Mas o dicionário da língua espanhola explica tratar-se também de uma "camiseta", uma peça de roupa interior.

O grupo venezuelano veio reivindicar a tentativa de atentado contra Maduro depois de o presidente ter acusado o chefe do Estado colombiano, Juan Manuel Santos, de ser o responsável pelo ataque com drones. Santos já negou qualquer envolvimento, tendo uma fonte da presidência colombiana garantido ao jornal venezuelano El Universal: "Isto não tem base. O presidente está dedicado ao batizado da neta, Celeste, e não a derrubar governos estrangeiros".

Duas explosões, aparentemente provocadas por um 'drone', obrigaram, sábado, o presidente Maduro, a abandonar rapidamente uma cerimónia de celebração do 81.º aniversário da Guarda Nacional Bolivariana.

O ato, que decorria na Avenida Bolívar de Caracas, estava a ser transmitido em simultâneo e de maneira obrigatória pelas rádios e televisões venezuelanas e no momento em que Nicolás Maduro anunciava que tinha chegado a hora da recuperação económica ouviu-se uma das explosões, que fez inclusive vibrar a câmara que focava o chefe de Estado.

Nesse instante, a mulher do Presidente venezuelano, Cília Flores, e o próprio chefe de Estado olharam para cima.

Antes da televisão venezuelana suspender a transmissão foi possível ainda ver, o momento em que militares rompiam a formação.

Venezuela "sequestrada"

Uma visita à conta de Twitter dos Soldados de Franelas revela ainda que estes acham que a Venezuela "está sequestrada" e é necessário regressar à paz, à prosperidade e ao progresso". O grupo defende ir "contra a honra militar" ter um governo que "não respeita a Constituição".

E pediu o apoio do povo venezuelano para tirar Maduro do poder. "Para culminar com êxito esta luta emancipadora é necessário que todos saiam às ruas, apoiando os nossos militares e líderes políticos civis para que tomem o poder e o consolidem até à formação de uma junta de transição".

Apesar de o país ter enormes riquezas em recursos naturais, a Venezuela atravessa uma grave crise económica que se traduz numa escassez de alimentos básicos e medicamentos, na deterioração dos serviços públicos e numa inflação muito elevada, que o Fundo Internacional Monetário estimou que no final do ano chegará aos 1.000.000% em 2018.

FMI estimou que a inflação na Venezuela chegará aos 1.000.000% em 2018.

O governo venezuelano tem culpado o fraco desempenho económico devido a uma guerra liderada pelos Estados Unidos, mas hoje o próprio Maduro pediu a seus ministros para pararem de "choramingar".

"Que o imperialismo nos agride? Chega de choramingarmos (...) cabe-nos produzir com agressão ou sem agressão ", afirmou Maduro.

Ler mais

Exclusivos