Reações: o mundo gastronómico despede-se do chef francês Joël Robuchon

Figuras públicas prestaram homenagem ao cozinheiro considerado o "chef do século" XX

O chef francês Joël Robuchon morreu aos 71 anos, depois de ter perdido uma batalha contra o cancro no pâncreas. Considerado o "chef do século" pelo guia de restaurantes francês Gault Millau em 1989, foi também o mais condecorado na história da Michelin, tendo angariado um total de 32 estrelas em 13 países diferentes.

Robuchon abriu o seu primeiro restaurante em 1981, o Jamin, localizado em Paris, que viria a arrecadar três estrelas Michelin nos seus primeiros três anos de funcionamento. Em 1994 inaugurou um restaurante com o seu próprio nome: restaurante Joël Robuchon, também em Paris, através do qual tinha intenção de expandir o negócio para três continentes, sob o nome de "L'Atelier de Joël Robuchon".

Os restaurantes foram aclamados pela sua assinatura de "cozinha moderna". O seu puré de batata com recheio de manteiga é um dos pratos conceituados.

Foram várias as figuras públicas que resolveram prestar homenagem a Robuchon nas redes sociais, entre os quais chefs, proprietários de restaurantes e críticos gastronómicos.

Gordon Ramsay, por exemplo, descreveu o antigo chef de cozinha francês como "o padrinho da Michelin". Foi o seu trabalho que o inspirou a começar a sua carreira profissional na área da culinária.

Por seu lado, o chef Rui Paula, que também foi jurado em programas como o MasterChef Portugal, considerou que Robuchon "continuará a inspirar chefs de todo o mundo, como me inspirou a mim", mostrando-se um grande admirador do seu percurso. "O impacto que teve na minha carreira foi muito, e certamente não será esquecido por gerações e gerações de chefs", escreveu no Instagram.

O chef português José Avillez também fez questão de homenagear Joël Robuchon.

Entretanto, a única mulher chef francesa a arrecadar três estrelas Michelin, Anne Sophie-Pi, disse no Instagram que este é "um dia com imensa tristeza", e considerou o antigo chef francês como "uma lenda da gastronomia francesa" e "um grande visionário que fez parte da nossa história".

No Twitter, o chef norte-americano Andrew Zimmern, que também é apresentador do programa Bizarre Foods with Andrew Zimmern, também considerou que este foi "um dia muito triste" para a culinária, e descreveu Robuchon como "um homem extraordinário". E recordou o dia em que esteve prestes a fazer parte de uma equipa para lhe confecionar um jantar de aniversário.

Por outro lado, o chef britânico Ashley Palmer-Watts sentiu-se grato por há alguns anos ter cozinhado um jantar privado para Robuchon.

Simon Majumdar, o cozinheiro, autor e estrela de televisão de Los Angeles, nos EUA, classificou o acontecimento como "outra perda triste para o mundo da culinária".

Entretanto, o proprietário de restaurantes Danny Meyer agradeceu a inspiração do antigo chef de cozinha francês e disse que a profissão "está em dívida" para com ele.

O restaurante espanhol "Tickets", situado em Barcelona, homenageou o "cozinheiro do século" com uma Tarta Robuchon, que contempla o menu. "Parte uma das grandes referências de Albert e Ferran Adrià. Adeus mestre", escreveu o estabelecimento no Instagram,

Jean Paul Hevin disse ter conquistado todo o seu sucesso graças a Robuchon, e dirigiu condolências à família do antigo chef francês. "Graças a Joël Robuchon, passei todas as minhas competições, incluindo o de Meilleur Ouvrier de France Pâtissier 1986. Com Joël, o requerimento foi um valor. Eu nunca te agradeci o suficiente, obrigado caro senhor", escreveu o pasteleiro e chocolateiro no Instagram.

Enquanto isso, Juan Mari Arzak, proprietário do restaurante Arzak, em San Sebastian (considerado um dos 50 melhores do mundo), disse que Robuchon será sempre considerado uma referência mundial para todos os chefs.

David Chang, proprietário de vários restaurantes nos EUA, considerou que Robuchon mudou "o jogo inteiro, de todas as formas possíveis", e considerou-o como "o Bill Walsh da gastronomia".

A comunicação social francesa também reagiu à morte do antigo chef francês. O jornal Le Fígaro , que divulgou a morte de Robuchon em primeira mão, descreveu o chef como "um visionário que quebrou as regras da alta cozinha", sem deixar de mencionar o facto de ele ter angariado 27 estrelas ao longo da sua carreira.

Por fim, o crítico gastronómico do jornal britânico The GuardianJay Rayner recordou que Robuchon mudou a forma de os restaurantes servirem puré de batata, pondo menos batatas e mais manteiga. "O teste de um grande chef é a capacidade de mudar a mais simples das coisas", escreveu no Twitter.

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