Rajoy sai das regionais com mais motivos para sorrir do que Sánchez

Na Galiza, PP repete maioria absoluta com Feijóo e PSOE foi terceiro. No País Basco, desaire de ambos na vitória de Urkullu

A terceira maioria absoluta de Alberto Núñez Feijóo na Galiza permite que o Partido Popular esqueça o mau resultado no País Basco e deixa Mariano Rajoy mais satisfeito do que Pedro Sánchez. Os socialistas não só perderam mais deputados do que os populares no Parlamento basco como ficaram em terceiro lugar nas eleições regionais galegas, com menos votos mas com os mesmos deputados que o En Marea, a marca do Podemos nesta comunidade autónoma. No País Basco, a vitória por maioria simples coube aos nacionalistas e Íñigo Urkullu não terá problemas em ser reeleito lehendakari. Mas dificilmente os resultados terão algum impacto no desbloquear do impasse político em Madrid.

Depois de Rajoy ter perdido o debate de investidura de 2 de setembro, os partidos políticos centraram-se na ida às urnas no País de Basco e na Galiza. A ideia era a de que, consoante os resultados, poderia ser possível desbloquear o impasse que dura há nove meses e evitar umas terceiras eleições no espaço de um ano. Falta menos de um mês para terminar o prazo para a formação do governo e neste domingo à noite só PP e Podemos tiveram razões para sorrir - mesmo que tenham também razões de preocupação.

Mais do que para acabar com o impasse, a nova maioria absoluta de Feijóo (41 deputados em 75) é uma boa notícia para Rajoy caso haja umas eventuais terceiras eleições. A expectativa do PP é que, se os espanhóis tiverem de voltar a votar a 18 de dezembro, Rajoy melhore o resultado de 26 junho, tal como na altura melhorou (e foi o único) em relação à eleição de 20 dezembro. O líder do PP só não pode estar mais feliz porque, face ao resultado de Feijóo - o único presidente autonómico com maioria absoluta -, há já quem diga que ele podia ser um melhor candidato nacional do que o próprio Rajoy.

No País Basco, o resultado do PP foi negativo (nove deputados, menos um do que em 2012), servindo apenas como consolação o facto de para o PSOE ter sido pior. Os socialistas ficaram com os mesmos deputados que os populares (vencendo-lhes em número de votos), mas perderam mais representantes do que eles nesta região (sete).

Rajoy estava de olhos postos na eventual necessidade de o Partido Nacionalista Basco (PNV), que elegeu 29 deputados, precisar do apoio do PP - seria possível um acordo em troca do voto dos cinco deputados que tem em Madrid. Dessa forma, o líder popular ficaria a apenas um voto da maioria absoluta que lhe escapou no debate de investidura - na altura teve 170 votos (os 137 do PP mais os 32 do Ciudadanos e o único da Coligação Canária).

Mas o PNV e o lehendakari já recusaram essa ideia - e nos últimos três anos os aliados regionais têm sido os socialistas. Mesmo sem o apoio de outro partido, como não há voto contra na eleição para o chefe do governo basco, Urkullu será eleito lehendakari na segunda volta com maioria simples.

Desaire do PSOE

Além da perda dos sete deputados bascos, Sánchez pode lamentar ainda ter perdido o segundo lugar em votos na Galiza para o En Marea (do qual faz parte o Podemos), tendo como prémio de consolação apenas o facto de terem ambos ficado com o mesmo número de deputados. O desaire foi por isso inferior ao esperado em algumas sondagens. A esperança do PP é que o mau resultado do PSOE possa forçar a eventual saída de Sánchez ou pelo menos a abstenção socialista num novo debate de investidura. Mas tudo aponta para que, apesar das divisões internas, não vá haver uma alteração da posição do PSOE em relação ao PP - os opositores de Sánchez não querem pôr o seu lugar em risco.

No sábado, os socialistas reúnem a Comissão Política Nacional e, segundo os media espanhóis, em vez da discussão sobre um eventual apoio a Rajoy ou até uma abstenção, o debate deve centrar-se num eventual acordo com o Podemos, com o apoio dos partidos nacionalistas e independentistas - um "governo Frankenstein", como já disse a vice-primeira-ministra espanhola, Soraya Sáenz de Santamaría.

O Podemos, também a mãos com divisões internas, pode congratular-se pelo facto de entrar em força nos parlamentos galego (14 deputados para o En Marea) e basco (11 eleitos do Elkarrekin Podemos). Mas, ao mesmo tempo, não consegue superar em deputados o PSOE na Galiza e acaba por ter um resultado muito inferior no País Basco ao conseguido nas legislativas, onde tinha sido o partido mais votado. Agora é terceiro, atrás do EH Bildu (independentistas), que elegeram 17 deputados, menos quatro do que em 2012. Ainda assim, o resultado das coligações em que concorreu o Podemos é excelente face ao outro partido que está a dar cartas a nível nacional, o Ciudadanos.

O partido de Albert Rivera não conseguiu representação nos parlamentos regionais. Mais uma prova de que ter negociado com o PP para investir Rajoy pode não ter sido uma boa ideia - como a perda de deputados nas eleições de junho em relação a dezembro já tinham demonstrado sobre o acordo com o PSOE.

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