Torra tomou posse em menos de três minutos e sem o governo espanhol

O independentista é o novo presidente do governo autónomo da Catalunha

A cerimónia demorou menos de três minutos e decorreu, segundo comunicado do executivo regional, "na estrita legalidade catalã", tendo Quim Torra aceitado o cargo sem fazer qualquer menção à Constituição espanhola ou ao rei.

"Prometo cumprir lealmente as obrigações do cargo de presidente da Generalitat, com fidelidade ao povo da Catalunha, representado pelo parlamento da Catalunha", disse Torra numa cerimónia simples apenas com a bandeira catalã e na presença do presidente do parlamento catalão, Roger Torrent, e de vários familiares.

A partir do momento em que for nomeada a equipa do novo governo regional, a Catalunha irá recuperar o estatuto de autonomia perdido em outubro de 2017 com a tentativa de independência liderada por Carles Puigdemont. Mas o governo espanhol, dirigido por Mariano Rajoy, já avisou que poderia a qualquer momento voltar a intervir na Catalunha se Quim Torra violasse a Constituição. Através do artigo 155.º, como aconteceu no passado.

A nomeação de Torra põe fim a um impasse político de quase cinco meses depois das eleições regionais de 21 de dezembro em que os partidos independentistas voltaram a ter uma maioria no parlamento da Catalunha. Mas não ao ambiente de tensão entre Catalunha e Estado espanhol.

O novo presidente foi indicado pelo ex-presidente catalão Carles Puigdemont, que se encontra atualmente refugiado em Berlim e aguarda uma decisão da justiça alemã sobre o mandado europeu de detenção emitido pela justiça espanhola, a qual aguarda pela sua extradição para o julgar. A partir da Alemanha, através do Twitter, Puigdemont felicitou Torra: "Muitas felicidades, muitos sucessos e todo o meu afeto e agradecimento".

No discurso que fez na segunda-feira quando foi confirmado pelo parlamento catalão, Quim Torra voltou a sublinhar que Carles Puigdemont é o presidente "legítimo" do governo da Catalunha e prometeu ser "leal ao mandato" para "construir um Estado independente em forma de República".

Ex-presidente da Òmnium Cultural, de 55 anos, Torra entrou na política em dezembro passado quando foi eleito deputado na lista Junts per Catalunya, formada por Carles Puigdemont e tendo por base deputados que pertencem ao Partido Democrático e Europeu da Catalunha (PDeCAT, direita) e personalidades independentes.

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