"Queremos eleger pelos menos 25 eurodeputados"

Andrea Venzon, Italiano de 26 anos é o líder do partido pan-europeu Volt, que surgiu com o descontentamento de um grupo de jovens em relação ao brexit e é lançado amanhã.

O Volt vai ser lançado como partido pan-europeu esta sexta-feira. Que diferenças há entre este partido e outros projetos do passado, como por exemplo o Libertas?
Temos um evento, em Paris, que será o lançamento oficial. Estamos a criar uma infraestrutura de partidos, ligados uns aos outros, através de uma rede. Queremos registar-nos junto da UE como um verdadeiro partido europeu e que isso aconteça, pela primeira vez, de forma coordenada, clara, com o mesmo nome em todos o lado. Queremos exportar o modelo americano para a Europa. Queremos criar um partido transnacional, não apenas grupos que se juntam para concorrer às próximas europeias de 2019.

Querem eleger eurodeputados de pelo menos sete países nas próximas europeias, mesmo quando o próprio Parlamento Europeu (PE) chumbou a ideia de haver listas transnacionais...
Queremos ter pelo menos 25 eurodeputados de sete países. Talvez possamos não conseguir à primeira, mas estamos a tentar criar esta força transnacional, mesmo se, como disse, o PE recusou a ideia de criar listas transnacionais. Teremos o mesmo nome, o programa, mas claro que é preciso adaptar às realidades nacionais, pois se a corrupção é um problema para Itália, noutro país pode ser outra coisa ...

O Volt foi criado como página de Facebook de um grupo de amigos a 29 de março de 2017. É uma data simbólica...
Foi a data em que, oficialmente, foi pedido o brexit. Eu, que estudei Business no Reino Unido e trabalhei em vários países da UE, queria voltar ao Reino Unido, mas com o brexit não o fiz. Criámos essa página de Facebook e, imediatamente, recebemos grande apoio.

Têm algum tipo de apoio financeiro para este projeto por parte da União Europeia?
Não. Somos totalmente financiados por crowdfunding. Tivemos três campanhas diferentes. Agora trabalhamos com fundações interessadas no nosso trabalho.

Pelo que vê das negociações do brexit acha que um acordo final, a existir, deveria ir a referendo?
Espero que o brexit não aconteça, mas os britânicos expressaram uma preferência, que tem que ser respeitada. Seria bem pensado que, quando houver um acordo final, a população tivesse a oportunidade de se pronunciar.

No seu país de origem, Itália, vemos agora uma aliança entre a Liga e o 5 Estrelas. Acha que vai funcionar?
É um acordo entre dois parceiros que espero que funcione. São duas forças diferentes: uma centrada no norte e nas questões da imigração, outra mais focada no sul e no tema do desemprego e apoios sociais.

Quais são as prioridades do programa do Volt?
Criámos um programa europeu assente em seis desafios, entre os quais está aquilo a que chamamos renascimento económico, para tentar perceber como podemos trazer de volta o crescimento ou, pelo menos, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

O Volt tem 4000 subscritores/militantes atualmente. Quantos esperam ter então até às eleições europeias de maio de 2019?
Esperamos chegar, até ao final deste ano, aos 50 mil. Vamos ver. A média de idades é de 30 a 35 anos.

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