Quem é o clérigo islâmico que Erdogan culpa pelo golpe?

Aos 75 anos, o clérigo muçulmano, é um dos principais alvos do presidente turco Erdogan

Vive numa pequena cidade nas montanhas Pocono, no estado norte-americano da Pensilvânia, desde 1999, mas é um religioso islâmico com seguidores em todo o mundo. Fethullah Gulen já negou qualquer envolvimento no golpe e condenou a sublevação militar, mas isso não convence a Ancara, que o acusa de estar por detrás do golpe falhado.

Aos 75 anos, o imã é um dos principais alvos do presidente turco Erdogan. O governo acusa Gullen de tentar criar uma estrutura paralela na polícia, justiça, media e forças armadas e de ter inspirado o golpe. E diz que "um país que esteja ao lado de Fethullah Gulen não é nosso amigo", segundo o primeiro-ministro Yildirim, sem nomear os Estados Unidos, aliados da Turquia na NATO.

Gulen, que se auto-exilou nos EUA, disse, em comunicado citado pela Reuters, que, como alguém que sofreu por causa de vários golpes militares durante as últimas cinco décadas, "é especialmente insultuoso ser acusado de estar ligado a tal tentativa", negando categoricamente as acusações.

É um homem poderoso, lembra a AFP: está à frente de um movimento religiosos e social transnacional de grande vitalidade na Turquia, com uma rede de escolas no país e no mundo, uma organização não-governamental e empresas, além de ser muito influente nos media, na polícia e na justiça.

O Hizmet ou o movimento Gulen funciona um pouco como os mórmones norte-americanos, "ajudam-se entre si, têm uma mentalidade missionária e um grande sentido de negócio", explicava em 2014 Sam Brannan, citado pela AFP.

Fethullah Gulen e Erdogan já foram aliados, e o segundo usou a rede do movimento para consolidar o seu poder. Mas afastaram-se e o imã tornou-se o "inimigo público número um" do homem forte da Turquia em 2013, no meio de um escândalo de corrupção. Vêm dessa altura as acusações de Erdogan de que Gulen está a agir como "um Estado dentro do Estado" e a tentar desestabilizar o governo.

No ano seguinte um tribunal da Turquia emitiu um mandado de detenção contra o clérigo, acusando-o de "liderar uma organização terrorista".

Mesmo antes de ser acusado de ser um traidor, Fethullah Gulen já vivia com um recluso na pequena vila de Saylorsburg, aparecendo muito pouco em público e dando poucas entrevistas. O movimento Gullen promove uma mistura de misticismo sufi e uma filosofia de harmonia entre as pessoas com base no islão - um islão aberto à educação e à ciência.

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