Quem de três tira um para ir à luta e travar Marine Le Pen

Fillon, Macron e Hamon em disputa renhida para determinar quem defrontará a líder da Frente Nacional, que parece ter lugar quase garantido na segunda volta das presidenciais.

O pelotão está compacto. De acordo com a mais recente sondagem, divulgada ontem ao final da tarde pela revista Paris Match, apenas seis pontos separam Marine Le Pen, que lidera as intenções de voto com 24%, do socialista Benoît Hamon, que aparece em quarto com 18%. Entre os dois surgem o conservador François Fillon (21%) e o independente Emmanuel Macron (20%). O escândalo relacionado com o alegado uso indevido de dinheiros públicos por parte de Fillon parece ter aproximado todos os principais candidatos à primeira volta das presidenciais, que será disputada a 23 de abril.

Será preciso esperar por novos estudos de opinião para confirmar qual é a tendência. Numa outra sondagem divulgada ontem de manhã pelo jornal Les Echos, a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, figura em primeiro lugar com 27%, seguida por Macron com 23%. Fillon (20%), Hamon (17%) e o esquerdista Jean-Luc Melenchon (10%) fecham o top 5 dos nove candidatos que até agora se apresentaram na corrida ao Eliseu. A única conclusão comum a todos os estudos é a derrota expressiva (na ordem dos 40% contra 60%) de Marine Le Pen na segunda volta a 7 de maio, quer o adversário seja Macron ou Fillon.

Emmanuel Macron aproveitou ontem a longa entrevista que concedeu à rádio pública France Inter para distanciar-se politicamente de Benoît Hamon, referindo que o adversário socialista "reflete uma esquerda demasiado intervencionista". O ex-ministro da Economia do governo de Manuel Valls foi claro ao referir que ele e o vencedor das primárias do PS não partilham as mesmas convicções políticas. "A minha oferta assemelha-se mais à social-democracia, à ecologia realista, à direita orleanista e a um gaulismo social", afirmou Macron em jeito de autorretrato ideológico.

Ainda assim, o ex-governante fez questão de afirmar-se como um homem de esquerda: "É a minha família política, mas não acredito na esquerda do igualitarismo. Acredito na esquerda da igualdade de oportunidades." Pesadas as palavras de Macron, parece ser pelo menos tanto aquilo que o separa de Hamon como aquilo que os une, o que mostra que dificilmente um abdicará em favor do outro.

Emmanuel Macron, que começou a corrida presidencial como um outsider, assume-se como um dos principais favoritos para fazer frente a Le Pen. Se será ele a conseguir o bilhete para a segunda volta depende em grande parte da capacidade de sobrevivência de François Fillon. Até que ponto o eleito d"Os Republicanos está politicamente morto? Muitos comentadores dizem que sim. As sondagens, nomeadamente a da Paris Match (realizada entre 29 de janeiro e 1 de fevereiro), são menos taxativas. "Neste momento é um candidato claramente coxo, principalmente tendo em conta que uma das suas principais bandeiras era a integridade e o comprometimento em lutar contra os alegados abusos do sistema. Torna-se muito difícil alguém defender essa posição quando esse alguém paga salários a alguém da família por trabalho que não é possível provar que tenha sido feito", disse ao DN Florence Faucher, professora de Ciência Política no instituto Science Po, em Paris.

Durante a entrevista à France Inter, Emmanuel Macron preferiu manter-se à margem do escândalo que envolve o adversário. "Não participo na escrita de epitáfios e não gosto de atacar os outros. Espero poder debater com Fillon", afirmou. Ainda assim, parte das declarações de Macron podem ser vistas como uma alusão à linha de defesa que está a ser seguida pelo adversário: "Não devemos falar de calúnias nem de complôs. A transparência faz parte da nossa vida democrática e não devemos negá-la."

Segundo o Le Figaro, François Fillon terá dito ontem que estava a ser vítima de um conluio destinado a ferir de morte a sua candidatura: "Trata-se de um golpe de estado institucional orquestrado por aqueles que estão no poder." Estes terão sido, de acordo com várias fontes citadas pela imprensa francesa, os termos usados por Fillon numa reunião com deputados d"Os Republicanos. O candidato terá pedido aos seus companheiros de partido para esperarem "15 dias", até que o inquérito esteja concluído, fazendo fé que nessa altura será ilibado das suspeitas. "Há uma coisa que garanto. Vou lutar com até ao fim. Vou ser candidato nestas eleições presidenciais", garantiu Fillon ontem durante uma reunião com empresários.

Exclusivos