"Que o sangue seja um fogo que os queima". Líder dos imãs da Bélgica acusado de anti-semitismo

Na véspera do ataque ao Museu Judaico, em Bruxelas, a 23 se maio de 2014, a Liga Belga Contra o Anti-Semitismo recebeu um relatório sobre um vídeo antigo em que um imã incitava a que se "queimassem" judeus.

O imã Mohamed Toujgani, da mesquita al-Khalil, localizada no coração de Molenbeek (bairro de Bruxelas) foi filmado a dizer: "Senhor, Mestre dos Mundos, derrama o medo nos corações dos sionistas opressivos."

Na gravação de 31 minutos que o site Jforum.fr, um portal dos judeus francófonos, cita o presidente da Liga dos Imãs da Bélgica, que dirige a maior mesquita da Europa (3500 lugares), a defender: "Senhor, encha seus corações de medo. Senhor, sacode a terra debaixo dos pés deles. Senhor, que o sangue dos mártires seja uma arma sob os pés dos sionistas opressores, e que o sangue seja um fogo de fogo que os queima e um vento que os castigue. [...] ó Senhor, destrua-os."

Estas palavras foram proferidas em 2009 e o filme descoberto agora pelo presidente da Liga Contra o Anti-Semitismo (LBCA), Joel Rubinfeld. Dirigente que diz defende que este discurso ganha agora uma maior importância pois começou esta quinta-feira (10 de janeiro) o julgamento de Mehdi Nemmouche, o principal suspeito da morte de quatro pessoas no ataque ao Museu Judaico em maio de 2014.

Nesta primeira sessão, a que chegou de cara tapada, Mehdi só usou da palavra para se recusar a identificar-se perante os juízes, noticiou a euronews.

"Como os do Hyper Cacher e contra o Charlie Hebdo em Paris, o ataque ao Museu Judaico não cai do céu. É o resultado do ensino a jihadistas, fábricas de terroristas que, por palavra, encorajaram os jovens a agir. A passagem para o ato é precedida pela liberação da fala. O ataque é o resultado. A origem é esse tipo de discurso. Esse tipo de pregação exerce o braço dos assassinos ", frisou Joel Rubinfeld.

Segundo o site Jforum.fr o imã Toujgani, que segundo a noticia não esteve disponível para prestar declarações, usou a palavra "sionista", o que para a LBCA "é uma maneira de designar os judeus sem infringir a lei".

No trabalho divulgado esta quinta-feira, é explicado que as palavras do Imã devem ser entendidas no contexto das situações vividas em Gaza. Desde então, as intervenções públicas de Toujgani tendem a mostrar que mudou o seu pensamento. Há dois anos, exortou os jovens a "tomarem cuidado com o chamamento da jihad".

Nomeado em 2017 presidente da Liga dos Imãs da Bélgica, defende nas redes sociais a defesa da coexistência pacífica e cívica entre as diferentes comunidades. Mas em 2009 defendia que se "queimasse os sionistas", insiste Joel Rubinfeld.

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