Putin diz que manual do comunismo é um excerto da Bíblia

O Presidente russo, Vladimir Putin, confessou ontem que aprecia em simultâneo as ideologias comunista e socialista, comparando-as aos ensinamentos da Bíblia pelos seus ideais humanistas.

"Gostava muito e continuo a gostar das ideias comunistas e socialistas. Se olharmos para o manual 'construtor do comunismo' que se publicou profusamente na União Soviética, recorda muito a Bíblia. Não é uma brincadeira, na verdade é um excerto da Bíblia", disse Putin, citado por media locais.

No decurso de um encontro da Frente Popular da Rússia, a sua plataforma eleitoral, Putin recordou que o citado manual incluía muitas ideias acertadas, como a igualdade, irmandade e felicidade.

"Mas a aplicação prática dessas ideias maravilhosas no nosso país esteve longe do que expunham os socialistas utópicos. O nosso país não se pareceu com a Cidade do Sol", declarou o líder do Kremlin em Stavropol, sul da Rússia.

Putin sublinhou que os czares foram acusados pela generalidade do mundo de repressão, mas disse que a construção do Estado soviético começou de forma semelhante, com repressões em massa.

Putin revelou ainda que "ao contrário de muitos funcionários, e eu não fui funcionário na perspetiva do partido, já que fui um membro comum, não me desfiz do cartão [de militante] do partido. Não o queimei".

"O Partido Comunista da União Soviética [PCUS] dissolveu-se. O meu cartão anda por algum lado. Não fui membro do partido por obrigação. Não posso dizer que fosse um comunista ideológico, mas o comunismo impunha-me muito", revelou.

Putin também criticou o líder da revolução bolchevique, Vladimir Ilich Ulianov "Lenine", por colocar em risco a estabilidade do Estado ao colocar no mesmo plano jurídico todas as repúblicas soviéticas, desde a Rússia à Ucrânia, e que qualificou de "bomba relógio".

O chefe do Kremlin, antigo funcionário do KGB, recordou que Estaline propôs conceder a cada entidade federada ampla autonomia, mas sem o direito de abandonarem a União, mas Lenine tinha uma opinião diferente, e que na opinião de Putin conduziu posteriormente à desintegração da URSS.

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Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.