Putin diz que "feroz disputa política" nos EUA está a dificultar cimeira com Trump

Em março, presidente norte-americano disse que os dois líderes se encontrariam em breve.

O presidente russo, Vladimir Putin, defendeu hoje que a "feroz disputa política" nos EUA está a dificultar a organização de uma cimeira com o homólogo norte-americano, Donald Trump.

Em março, Trump tinha dito que os dois líderes se iriam encontrar em breve. Mas desde então os frágeis laços entre Washington e Moscovo deterioraram-se ainda mais por causa do conflito na Síria e do envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal, no Reino Unido.

Questionado pela estação pública austríaca ORF sobre porque é que estava a demorar tanto tempo a organizar o encontro, Putin respondeu: "Tem que perguntar aos nossos colegas nos EUA. Na minha opinião, é consequência da feroz disputa política interna nos EUA."

Tem que perguntar aos nossos colegas nos EUA. Na minha opinião, é consequência da feroz disputa política interna nos EUA

Trump está sob pressão interna do procurador especial Robert Mueller, responsável pela investigação da alegada interferência da Rússia nas presidenciais norte-americanas de 2016 e do eventual conluio da campanha do republicano. Tanto o presidente como Moscovo negam as acusações.

Putin não quis elaborar sobre o tema na entrevista que deu à ORF na véspera da visita que fará amanhã à Áustria.

"Numa das nossas últimas discussões, o Donald disse que está preocupado com o perigo de uma nova corrida às armas. Concordo inteiramente com ele", acrescentou Putin no extrato da entrevista, que será transmitida na íntegra hoje à noite.

Visita à Áustria

Na véspera do encontro com Putin em Viena, o vice-chanceler austríaco e líder do Partido da Libertdade da Áustria (extrema-direita) pediu o fim das sanções europeias contra a Rússia.

Heinz-Christian Strache, cujo partido pró-russo é aliado do governo conservador de Sebastian Kurz, disse no passado que era contra as sanções europeias a Moscovo, pelo apoio aos rebeldes na Ucrânia. Numa entrevista ao jornal Oesterreich, publicana no domingo, foi ainda mais longe.

"É tempo de acabar com estas sanções exasperantes e normalizar as relações políticas e económicas com a Rússia", disse Strache.

Os EUA, a União Europeia e outros países aprovaram sanções à Rússia depois de Moscovo ter anexado em 2014 o território ucraniano da Crimeia. Ao contrário da maioria dos países europeus, a Aústria (tal como Portugal) não expulsou diplomatas russos por causa do envenenamento de Skripal.

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