Puigdemont diz que Espanha retirou mandado de busca "por medo"

O ex-governante catalão refere que a ida para a Bélgica foi "a estratégia mais útil", visto que os outros membros do Governo acabaram presos

O antigo presidente do Governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, considerou hoje que o Governo espanhol retirou o mandado de busca europeu "por medo" e argumentou que a ida para a Bélgica foi a correta.

"Se a Bélgica não se atreve a executar uma ordem europeia é porque sabe que não é aceitável nem correspondente às boas práticas europeias", disse Puigdemont numa conferência de imprensa realizada cerca de um mês depois da última conversa com os jornalistas.

"O Estado espanhol teve de retirar a ordem" e fê-lo porque "tinha medo" que a Bélgica não a executasse, argumentou o presidente do Governo regional da Catalunha.

Puigdemont apresentou-se aos jornalistas acompanhado de quatro antigos conselheiros do governo catalão, no dia a seguir ao Supremo Tribunal emitir uma ordem para que sejam retiradas as ordens europeias de entrega do antigo governante às autoridades espanholas.

O antigo governante considerou que a ida para a Bélgica foi "a estratégia mais útil", uma vez que os outros membros do Governo acabaram na prisão. Foram entretanto libertados sob caução esta segunda-feira.

"Aqui temos tido o respeito e a dignidade que não foram dados aos nossos companheiros encarcerados", argumentou o ex-governante catalão.

Puigdemont está, desde Bruxelas para onde viajou depois do seu executivo ter sido destituído, a liderar a campanha do seu partido para as eleições de 21 deste mês na Catalunha.

Supremo Tribunal espanhol retirou o mandado de detenção europeu contra o ex-líder catalão Carles Puigdemont e quatro membros do antigo gabinete que se encontram refugiados na Bélgica, mas o juiz manteve o mandado de detenção espanhol contra os cinco separatistas, que poderão assim ser detidos quando regressarem a Espanha, segundo fontes do tribunal.

A justiça belga decide a 14 de dezembro sobre o pedido de detenção e entrega a Espanha do ex-presidente do governo catalão e dos quatro ex-ministros regionais que também estão refugiados em Bruxelas.

As eleições regionais foram convocadas pelo chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, em 27 de outubro passado, no mesmo dia em que decidiu dissolver o parlamento da Catalunha e destituir o executivo regional presidido por Carles Puigdemont.

Os partidos separatistas ganharam as últimas eleições regionais, em 2015, o que lhes permitiu formar um Governo que organizou um referendo de autodeterminação em 01 de outubro último, que foi considerado ilegal pelo Estado espanhol.

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