Puigdemont critica aviso feito por Juncker

Luxemburguês diz que Rajoy tem grande apoio na Europa. Ex-líder do 'govern' responde com resultados do PP na Catalunha.

"Na Catalunha, Rajoy tem 8,5% dos votos. Mas, de acordo com Juncker, Mariano Rajoy tem muito (?) apoio na Europa pelas suas políticas na Catalunha. Será que Juncker tem qualquer consideração pelos votos e opiniões dos cidadãos europeus?". Foi assim que Carles Puigdemont, o ex-presidente da Generalitat, reagiu no Twitter à entrevista dada ontem pelo líder da Comissão Europeia ao El País.

Para Jean-Claude Juncker, "as autoridades catalãs não devem subestimar o amplo apoio que Rajoy tem em toda a Europa. Enganam-se por completo se o fizerem". Frase que motivou a reação de Puigdemont. Falando ainda sobre o primeiro-ministro espanhol e a situação na Catalunha, o líder comunitário admitiu que Rajoy tem "uma abordagem muito baseada na legalidade", mas garante que não será ele a culpá-lo por isso. "Ainda mais quando foi provocado por comportamentos ilegais por parte de dirigentes catalães".

A crise independentista da Catalunha foi o tema central desta entrevista, com Jean-Claude Juncker a admitir que esta é "uma enorme preocupação". "Não gosto da situação que causou: é um desastre. Em muitos sentidos. Rarefez a atmosfera política, gerou uma fratura interna na sociedade espanhola e na catalã: criou problemas dentro das famílias, entre os amigos. É triste. Nunca devia ter acontecido", afirmou o presidente da Comissão Europeia.

Jean-Claude Juncker garantiu ainda ao jornal El País que nunca teve um contacto pessoal com Carles Puigdemont, admitindo, por outro lado, que Mariano Rajoy "é um grande amigo" e que apoia "a postura do governo espanhol". "Estou a favor de quem respeita a lei. A UE baseia-se no império da lei, e o que os meus amigos catalães fizeram foi o contrário: desrespeitaram a lei. Estou com quem respeita o quadro institucional, não posso suportar quem viola isso", afirmou.

Questionado sobre a realização de eleições autonómicas na Catalunha a 21 de dezembro e sobre a possibilidade de os partidos independentistas conseguirem renovar a sua maioria parlamentar (como indicam as sondagens), o líder da Comissão Europeia afirmou que não lhe cabe a ele comentar cenários hipotéticos. Mas deixou claro que o seu desejo "é que Espanha use toda a sua força e inteligência para conduzir todo isto para um final feliz. Ou pelo menos aceitável".

Ler mais

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.

Premium

Rogério Casanova

Três mil anos de pesca e praia

Parecem cagalhões... Tudo podre, caralho... A minha sanita depois de eu cagar é mais limpa do que isto!" Foi com esta retórica inspiradora - uma montagem de excertos poéticos da primeira edição - que começou a nova temporada de Pesadelo na Cozinha (TVI), versão nacional da franchise Kitchen Nightmares, um dos pontos altos dessa heroica vaga de programas televisivos do início do século, baseados na criativa destruição psicológica de pessoas sem qualquer jeito para fazer aquilo que desejavam fazer - um riquíssimo filão que nos legou relíquias culturais como Gordon Ramsay, Simon Cowell, Moura dos Santos e o futuro Presidente dos Estados Unidos. O formato em apreço é de uma elegante simplicidade: um restaurante em dificuldades pede ajuda a um reputado chefe de cozinha, que aparece no estabelecimento, renova o equipamento e insulta filantropicamente todo o pessoal, num esforço generoso para protelar a inevitável falência durante seis meses, enquanto várias câmaras trémulas o filmam a arremessar frigideiras pela janela ou a pronunciar aos gritos o nome de vários legumes.