PSOE demarca-se do apoio de Iceta a indulto aos independentistas

Ciudadanos e PP rejeitam a ideia do candidato socialista. Rajoy e Sánchez participaram ontem na campanha catalã

O líder dos socialistas catalães (PSC), Miquel Iceta, disse ontem à rádio RAC-1 que se for eleito presidente da Generalitat pedirá o indulto dos independentistas que sejam eventualmente condenados ao abrigo da investigação do Supremo Tribunal. Uma proposta que terá apanhado de surpresa o PSOE, que reagiu dizendo que essa é a "opinião" de Iceta. Já Ciudadanos e Partido Popular, os outros partidos não independentistas, criticaram a proposta do candidato socialista.

"Sem dúvida que pedia o indulto porque neste país temos de fechar as feridas que têm uma origem política", referiu Iceta, lembrando que sempre considerou desproporcional a decisão de manter os políticos e dirigentes civis presos. "A prisão preventiva faz mais sentido para outro tipo de crimes. Mas, num Estado de direito, não temos outro remédio que acatar o que o juiz diz. Isto não quer dizer que estejamos de acordo", defendeu. A decisão de indultar um condenado cabe ao governo espanhol e não à Generalitat.

Os ex-membros do governo catalão são acusados de rebelião, sedição e peculato na organização do referendo e posterior declaração unilateral de independência, assim como os membros da Mesa do Parlamento. Já os líderes das associações Òmnium Cultural e Assembleia Nacional Catalã são acusados de sedição nos protestos prévios ao referendo.

A direção do PSOE (aliados a nível nacional do PSC) terá ficado surpreendida com a declaração de Iceta, distanciando-se dela. "É a sua opinião, que respeito, mas em todo o caso é a sua opinião", afirmou a número dois do PSOE, Adriana Lastra, citada pelo El Mundo. Em campanha na Catalunha com Iceta, o secretário-geral socialista, Pedro Sánchez, não abordou o tema no discurso num comício em Sabadell, a norte de Barcelona.

As maiores críticas vieram dos outros partidos ditos constitucionalistas, isto é, não independentistas. O líder nacional do Ciudadanos, Albert Rivera, reagiu no Twitter: "Se querem proibir os indultos a políticos por peculato e prevaricação, votem Ciudadanos. Se querem indultos a políticos, votem PSC-PSOE." Já o candidato do PP catalão, Xavier García Albiol, pediu a Iceta que se "concentre no prioritário em vez de indultar quem tentou romper com Espanha".

Albiol visitou ontem o mercado de Badalona, cidade de que foi presidente da câmara, e as caves da Freixenet (famosa marca de cava, o espumante catalão) junto com o primeiro-ministro. Mariano Rajoy tirou selfies com os habitantes de Badalona, mas foi recebido com uma manifestação de independentista em Sant Sadurní d"Anoia. Na empresa, que optou por manter a sede social na Catalunha apesar da indefinição política, Rajoy pediu aos espanhóis para não boicotarem os produtos catalães.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Pedro Lains

Compreender Marques Mendes

Em Portugal, há recorrentemente espaço televisivo para políticos no activo comentarem notícias generalistas, uma especificidade no mundo desenvolvido. Trata-se de uma original mistura entre comentário político e espaço noticioso. Foquemos o caso mais saliente dos dias que correm para tentar perceber a razão dessa peculiaridade nacional. A conclusão é que ela não decorre da ignorância das audiências, da falta de especialistas sobre os temas comentados, ou da inexistência de jornalistas capazes. A principal razão é que este tipo de comentário serve acima de tudo uma forma de fazer política.