Kirstjen Nielsen vaiada em restaurante mexicano. Quem é a chefe da imigração dos EUA?

Ativistas contra políticas de imigração norte-americanas interromperam jantar da secretária de Segurança Interna dos EUA em restaurante mexicano. Quem é esta mulher que Donald Trump esteve prestes a despedir

"Como se atreve a jantar em paz quando as crianças estão a ser separadas dos pais?". As palavras de protesto são dirigidas à secretária de Estado da Segurança Interna, enquanto jantava num restaurante mexicano próximo da Casa Branca, em Washington, e foram gravadas, e divulgadas, por um grupo de ativistas contra a política de imigração dos EUA que entrou no estabelecimento e confrontou Kirstjen Nielsen.

Quem é esta mulher que apareceu diante dos jornalistas na segunda-feira, dia 18, para defender a política de separação de pais e filhos na fronteira sul dos EUA? Alguém que Donald Trump considerava ter uma atuação débil no controlo de fronteiras e que esteve a ponto de ser despedida.

Discreta até agora, Nielsen é uma funcionária ligada à administração Bush que o presidente dos EUA repreendeu numa reunião por considerar que estava a ter uma atuação fraca no controlo de fronteiras. A própria considerou demitir-se do cargo, escreve a imprensa norte-americana. Com o endurecimento da aplicação das leis de imigração, e a consequente separação de famílias, elementos próximos de Trump viam na Secretária de Estado da Segurança Interna o elo mais fraco e acreditavam que seria despedida.

Confrontada com o áudio de crianças a chorar e a chamar pelos pais divulgado pela ProPublica, Kirstjen Nielsen começou por dizer que desconhecia o seu conteúdo para logo garantir que todas as crianças estão a ser tratatas com "dignidade e humanidade". Tornou-se então no rosto da política de tolerância zero, alvo dos protestos daqueles que lutam contra a política de imigração dos EUA.

Foi o que aconteceu na terça-feira à noite, sentada numa mesa discreta do restaurante MXDC Cocina Mexicana. Os manifestantes da organização Metro D.C. Democratic Socialists of America irromperam pelo restaurante e uma vez perto da chefe de Segurança Interna gritaram palavras de ordem.

"Não às fronteiras, não aos muros."

"Nenhum ser humano é ilegal."

"Vergonha. Vergonha. Vergonha."

"Acabem com os campos de concentração no México."

"Peça desculpa."

"Porcos fascistas."

Durante o vídeo, de cerca de 10 minutos, divulgado pelos manifestantes, Krisjen Nielsen mantém-se com os olhos no telemóvel e não olha para os manifestantes.

A certa altura, alguém começa a passar o áudio do choro das crianças e um dos ativistas pergunta: "Ouve os bebés a chorar? Como pode dormir à noite?"

Veja aqui o vídeo:

"Não vamos deixar a secretária de Estado Nielsen jantar em paz, enquanto ela dirigir os seus empregados para separar meninas das suas mães e rapazes a chorar dos seus pais nas nossa fronteira", disse Margaret McLaughlin, membro da Metro DC Democratic Socialists of America. "A Secretária de Estado Nielsen e toda a gente que cumpriu estas ordens brutais e a sangue-frio para separar famílias não devia poder comer e beber em público de novo", acrescentou à New York Mag.

A indiferença com que Nielsen encarou os protestos mereceu, no entanto, resposta pública do seu porta-voz, Tyler Q. Houlton. "Durante um jantar de trabalho esta noite, a secretária de Estado e a sua equipa ouviram um grupo de manifestantes que partilham com ela a preocupação com as nossas leis de imigração que criaram um situação de crise nas fronteiras."

A resposta faz parecer que existiu uma interação com os ativistas que o vídeo não documenta e mantém-se a ideia de que o congresso e não a administração Trump podem resolver a questão, uma explicação que tem sido amplamente contestada por especialistas e pela imprensa norte-americana. A lei não mudou, foi a sua aplicação que endureceu.

A separação de pais e filhos abriu uma crise nos EUA que pode afundar Trump, alegam alguns analistas. A contestação vem dos democratas, mas também de alguns membros do Partido Republicano,

Kristjen Nielsen recebeu, em contrapartida, os elogios do presidente Donald Trump por uma "trabalho fabuloso". Via twitter, naturalmente.

Advogada, 45 anos, nascida na Florida e licenciada em Georgetown, trabalhou com George W. Bush e assumiu a chefia da Segurança interna em dezembro de 2017. Sucedeu a John Kelly no cargo.

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