Princesas árabes julgadas em Bruxelas por escravizarem empregadas

Uma das funcionárias disse que foi obrigada a passar três dias sem comer nem beber

Oito princesas dos Emirados Árabes Unidos estão a ser julgadas em Bruxelas, na Bélgica, por tráfico humano e escravidão. Hamda al-Nahyan, mulher de um sheikh e político de Abu Dhabi, e as sete filhas levaram mais de 20 empregadas para Bruxelas em 2008 e maltrataram-nas.

A família real alugou o quarto andar inteiro de um hotel de luxo na Bélgica em 2008 e ficou lá hospedada durante oito meses. Durante este período, as princesas terão maltratado a comitiva de mais de 20 empregadas que levou.

"As empregadas não eram pagas, trabalhavam dia e noite e tinham de dormir no chão", disse Patricia LeCocq, porta-voz de uma organização de direitos humanos belga, citada pelo Deutsche Welle. "As princesas gritavam com elas e agrediam-nas frequentemente".

As queixosas dizem que eram obrigadas a estarem disponíveis para atender aos desejos das princesas 24 horas por dia, eram impedidas de sair do hotel e vigiadas por guardas e só podiam comer as sobras das refeições das princesas, segundo a BBC.

Uma das funcionárias disse que foi obrigada a passar três dias sem comer nem beber.

O caso apenas foi descoberto pois uma das empregadas fugiu e apresentou queixa à polícia. As autoridades belgas iniciaram uma investigação que resultou numa acusação formal e um julgamento. O caso chegou a tribunal este ano.

As princesas e um mordomo indiano serão julgados 'in absentia', pois não estão no país.

Se forem declaradas culpadas podem ter de pagar uma indemnização de centenas de milhares de euros e enfrentar penas de prisão. É, no entanto, pouco provável que as princesas sejam extraditadas para cumprir a pena, dizem ativistas, citados pela BBC.

Os al-Nahyan são uma das mais poderosas família dos Emirados Árabes Unidos, que ocupa vários cargos políticos e controla a cidade de Abu Dhabi.

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