Primeiro-ministro da Geórgia demite-se

Demissão motivada por manifestações de milhares de pessoas e "discórdias profundas" com o presidente do partido no poder

O primeiro-ministro da Geórgia, Giorgui Kvirikachvili, anunciou esta quarta-feira a sua demissão na sequência de manifestações a que aderiram milhares de pessoas e causadas por acusações de tráfico de influência junto do aparelho judicial.

Durante um discurso na televisão, Kvirikachvili afirmou que a decisão de se demitir foi também motivada por "discórdias profundas" com o presidente do partido no poder, Sonho Georgiano, liderado pelo influente milionário e ex-primeiro-ministro do país, Bidzina Ivanichvili.

Segundo a Constituição da Geórgia, a demissão do primeiro-ministro vai implicar a queda de todo o governo desta antiga república soviética do Cáucaso.

O partido no poder na Geórgia terá sete dias a partir desta quarta-feira para escolher um candidato ao cargo de primeiro-ministro, sendo que o candidato será aceite ou rejeitado pelo presidente do país.

O novo candidato a primeiro-ministro terá de ver o seu nome aprovado pelo parlamento da Geórgia, se bem que o seu partido conta com 115 deputados de um total de 150 lugares.

Nos últimos tempos a Geórgia tem vivido um período conturbado com diversas manifestações de protesto depois de ter havido uma sentença polémica sobre a morte de dois adolescentes.

Dois dos acusados foram absolvidos o que levou a que a população georgiana protestasse contra a sentença.

O procurador-geral do país, Irakli Chotadze teve de renunciar ao cargo e o processo voltou a ser reaberto sob a pressão dos manifestantes.

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Patrícia Viegas

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Em 2011, fazendo a cobertura das legislativas que deram ao PP de Mariano Rajoy uma maioria absoluta histórica, notei que quando perguntava a algumas pessoas do PP o que achavam do PSOE, e vice-versa, elas respondiam, referindo-se aos outros, não como socialistas ou populares, não como de esquerda ou de direita, mas como los rojos e los franquistas. E o ressentimento com que o diziam mostrava que havia algo mais em causa do que as questões quentes da atualidade (a crise económica e financeira estava no seu auge e a explosão da bolha imobiliária teve um impacto considerável). Uma questão de gerações mais velhas, com os fantasmas da Guerra Civil espanhola ainda presente, pensei.