Rebelião partidária afasta Turnbull e dá o sexto primeiro-ministro à Austrália em 11 anos

Eleição de Morrison confirma a instabilidade política que se tem vivido na Austrália. Será o sexto primeiro-ministro em apenas onze anos e o quarto a ser afastado por colegas de partido

O primeiro-ministro australiano Malcolm Turnbull anunciou esta sexta-feira que vai deixar o cargo, após uma semana de tensão no partido, numa ação que classificou de "insurreição" para o derrubar como chefe do Governo. Scott Morrison, que foi eleito líder do Partido Liberal australiano, assumirá o cargo.

"Fiquei impressionado por quantos dos meus colegas falaram ou votaram pela lealdade em vez de deslealdade. Os dissidentes não foram recompensados e o meu sucessor, a quem desejo o melhor, teve êxito", afirmou durante uma conferência de imprensa em Camberra.

Turnbulll falava aos jornalistas depois do Partido Liberal ter aprovado uma mudança na liderança do partido, votando a favor da sua substituição por Scott Morrison, até aqui ministro do Tesouro.

De acordo com a BBC, Turnbulll é o quarto primeiro-ministro a ser demitido internamente em dez anos. Morrison será, assim, o 30.º primeiro-ministro australiano (o sexto em apenas onze anos), confirmando a instabilidade que tem marcado nos últimos anos os dois maiores partidos, Trabalhistas e Liberais.

O atual ministro do Ambiente e Energia, Josh Frydenberg, foi eleito número dois, com ampla maioria.

"Quero agradecer ao povo australiano por tudo o que fizeram, dando-me a oportunidade de ser líder deste grande país", disse Turnbull numa conferência de imprensa em Camberra.

O ainda primeiro-ministro agradeceu à sua número dois e atual ministra dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop, pelo seu "grande trabalho e lealdade".

"Penso que as pessoas ficaram chocadas com esta ação destrutiva deliberada. Havia diferenças, mas as coisas podiam ter-se resolvido", afirmou.

Turnbull disse que continua "otimista e positivo sobre o futuro" da Austrália. "Como uma coligação de Governo progressista fizemos importantes reformas e avanços. (...) Criámos empregos e uma economia forte", salientou.

"Estou orgulhoso do que fizemos em várias áreas", disse, destacando a legalização do casamento homossexual e investimentos em infraestruturas, entre outras medidas, num período de "grandes desafios".

Em causa estará uma discussão sobre políticas energéticas, desencadeada na semana passada, que gerou tensões entre Turnbull e a ala conservadora do partido.

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