Primeira "serial killer" de animais condenada a 16 anos de prisão

Dalva Lina da Silva matou dezenas de gatos e cães. O tribunal disse que a arguida "agiu com deliberada intenção" de magoar os animais

Uma brasileira de 48 anos foi condenada a 16 anos e seis meses de prisão por ter morto 33 gatos e quatro cães em 2012, embora o número possa ser superior. Segundo o tribunal, Dalva Lina da Silva matava os animais "por prazer". Viúva de um médico, vivia num bairro rico do Brasil e tinha uma filha a estudar na universidade. A justiça brasileira condenou a mulher em novembro do ano passado por agir com "deliberada intenção" de magoar os animais.

Dalva identificava-se como "salvadora" de animais abandonados, mas uma outra mulher, Juliana Bussab, uma das fundadoras da organização não governamental "Adote Um Gatinho", começou a desconfiar da capacidade de Dalva de ajudar tantos animais - recebia dezenas por dia, mas aqueles que entravam na casa de Dalva já não saíam vivos: os cadáveres eram colocados em sacos do lixo pretos e trazidos para o exterior.

Foi Juliana Bussab quem ajudou a desmascarar Dalva, como ela mesma conta ao site Universa na peça "Desmascarei uma assassina". "Eu sei quanto custa manter um abrigo, e ela nunca foi ligada a nenhuma organização, nada", disse Bussab. Foi isso que a levou a dar o alerta. Quando uma amiga entregou 16 gatinhos a Dalva e esta disse que já não os tinha ao fim de 24 horas, Juliana decidiu contratar um detetive, que abriu um dos vários sacos que Dalva trazia para o exterior e descobriu os animais mortos.

A mulher foi vigiada durante 22 dias pelo detetive que disse ter visto a brasileira receber em casa cerca de 300 animais.

Os pormenores dos crimes constam no relatório do Tribunal de Justiça de São Paulo, que indica que os animais que foram encontrados mortos apresentavam "lesões perfurantes" e hematomas subcutâneos. De acordo com o documento, Dalva da Silva amarrava os animais, injetava-lhes cetamina - que o relatório indica ser uma "substância perigosa e nociva à saúde humana e ao ambiente" - e perfurava-os, o que faziam perder sangue até morrerem.

O veterinário que analisou os cadáveres dos animais disse, em tribunal, que estes tinham sofrido uma morte "lenta, dolorosa e cruel", além de terem sido vítimas de maus tratos e de não serem alimentados. "Os animais sentiram a dor e estavam conscientes no momento da execução", disse Paulo César Maiorka, o veterinário, acrescentando que nunca tinha visto nada igual durante a sua carreira, "tanto pelo número, quanto pela forma com que os animais foram tratados".

Em tribunal, Dalva Lina da Silva disse que matava os animais porque estes estavam doentes e em fase terminal, mas ficou provado que eles estavam saudáveis. O tribunal decretou que a arguida "agiu com deliberada intenção" de magoar os animais.

O advogado e voluntário na associação "Adote Um Gatinho", Rodrigo Carneiro, que acompanhou as declarações de Dalva em tribunal disse ao site Universia que acredita que esta "matava por prazer".

Dalva já tinha sido condenada, em 2012, em primeira instância, como uma assassina em série de animais. Recorreu da decisão e ficou em liberdade até 2016. No ano passado a sua pena foi aumentada para 16 anos e seis meses de prisão. Está a cumprir a pena em regime semiaberto - trabalha ou faz cursos no exterior e à noite regressa à cadeia - numa prisão de São Paulo.

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