Primeira-dama e vice-presidente da Nicarágua diz que Governo "é indestrutível"

Na quarta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse estar "muito preocupado" com a violência na Nicarágua

A primeira-dama e vice-presidente da Nicarágua, Rosario Murillo, defendeu que o Governo liderado pelo marido, Daniel Ortega, "é indestrutível" e que os opositores "não conseguiram, nem vão conseguir" derrubá-lo durante a atual crise sociopolítica.

"Somos fortes, indestrutíveis, não conseguiram, nem vão conseguir" derrubar o Governo, exclamou Murillo, num discurso transmitido na quarta-feira por meios de comunicação social oficiais.

Na opinião da também porta-voz do Governo, o que está a acontecer desde 18 de abril é "uma explosão do mal e do terrorismo", causada pelos opositores que vivem num "mundo egoísta e perverso".

"Foram capazes de introduzir numa sociedade que vivia um processo de reconciliação... perversão, terror, terrorismo, crimes, sequestros e torturas", acusou.

No mesmo dia, a Associação Nicaraguense pelos Direitos Humanos (ANPDH) elevou para 351 o número de mortos e 261 desaparecidos devido à repressão do Governo contra os protestos que ocorrem no país desde abril.

Ainda na quarta-feira, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse estar "muito preocupado" com a violência na Nicarágua.

A ONU "deplora a perda de vidas nos protestos e o ataque contra os mediadores da Igreja católica no diálogo nacional", de acordo com um comunicado do porta-voz, Stéphane Dujarric.

Na segunda-feira, partidários do Governo irromperam violentamente uma basílica da cidade de Diriamba, situada a 42 quilómetros a sul de Manágua, onde agrediram vários bispos, entre os quais o núncio apostólico Stanislaw Waldemar Sommertag, o cardeal Leopoldo Brenes e o bispo Silvio Báez.

Desde 18 de abril que a Nicarágua é palco de manifestações e confrontos violentos.

Os manifestantes acusam o Presidente Daniel Ortega e Rosario Murillo de abuso de poder e de corrupção. Daniel Ortega está no poder desde 2007, após um primeiro mandato de 1979 a 1990.

Ler mais

Premium

João Gobern

País com poetas

Há muito para elogiar nos que, sem perspectivas de lucro imediato, de retorno garantido, de negócio fácil, sabem aproveitar - e reciclar - o património acumulado noutras eras. Ora, numa fase em que a Poesia se reergue, muitas vezes por vias "alternativas", de esquecimentos e atropelos, merece inteiro destaque a iniciativa da editora Valentim de Carvalho, que decidiu regressar, em edições "revistas e aumentadas", ao seu magnífico espólio de gravações de poetas. Originalmente, na colecção publicada entre 1959 e 1975, o desafio era grande - cabia aos autores a responsabilidade de dizerem as suas próprias criações, acabando por personalizá-las ainda mais, injectando sangue próprio às palavras que já antes tinham posto ao nosso dispor.