Primeira-dama da Nigéria diz que não apoia marido. Ele diz: "tu pertences à cozinha"

Aisha Buhari criticou marido e disse que não o vai apoiar nas próximas eleições, numa entrevista polémica. O presidente riu-se da situação

A primeira-dama da Nigéria não irá apoiar o marido nem participar em campanhas eleitorais, caso ele decida candidatar-se de novo à presidência. Foi pelo menos isso que garantiu, em entrevista à BBC. Quando confrontado com as declarações da mulher, o presidente Muhammadu Buhari, que se encontra na Alemanha, riu-se e respondeu: "Não sei a que partido a minha mulher pertence, mas o lugar dela é na minha cozinha e na minha sala".

O presidente Muhammadu Buhari falava aos jornalistas ao lado da chanceler Angela Merkel, que se riu da resposta do dirigente nigeriano, segundo a agência AP.

Na entrevista da BBC emitida esta sexta-feira, Aisha Buhari disse que o marido não conhece a maioria das pessoas que ocupa cargos de topo no país e que os governantes se afastaram dos ideais do partido Congresso Progressista.

"O presidente não conhece 45 das 50 pessoas que escolheu [para os cargos] e nem eu, apesar de ser mulher dele há 27 anos", disse a primeira-dama, segundo a BBC.

Aisha Buhari afirmou ainda que muitos dos que ocupam cargos de liderança foram escolhidos por influência "de alguns". "Algumas pessoas estão sentadas em casa com os braços cruzados apenas para serem chamadas para comandar um departamento ou um ministério", continuou. Quando lhe perguntaram a que pessoas a primeira-dama se referia, ela respondeu: "vão saber quem são se virem televisão".

A mulher de Muhammadu Buhari foi uma das figuras de destaque na campanha do marido nas eleições de 2015, organizando vários encontros com grupos de mulheres e organizações de jovens pelo país.

Buhari foi eleito presidente da Nigéria pela quarta vez e ainda não anunciou se se vai candidatar de novo em 2019. Caso o faça, Aisha Buhari afirma que não apoiará o marido. "Ele ainda não me disse, mas eu decidi que se a situação continuar assim até 2019, eu não vou fazer campanha de novo nem vou pedir a nenhuma mulher que vote nele como antes", disse a primeira-dama. "Nunca mais vou fazer isso".

Desde o início do quarto mandato que a primeira-dama tem tido a "pasta" do empoderamento das mulheres e do apoio às vítimas do grupo terrorista Boko Haram, o que aumentou a sua credibilidade no país. As suas declarações ameaçam, por isso, ter um forte impacto na opinião pública.

Nas redes sociais a entrevista de Aisha é um dos assuntos mais discutidos. Algumas pessoas elogiam a atitude, de denunciar o que considera errado, enquanto outras criticam a sua ação, que consideram uma traição ao presidente.

Muhammadu Buhari, na Alemanha, afirmou aos jornalistas que já foi eleito três vezes e, como tal, tem "conhecimento superior" sobre a mulher e a oposição, segundo a AP.

"Não é fácil satisfazer todos os partidos da oposição nigerianos ou fazer parte do governo", afirmou o presidente, acrescentando que, no final de contas, teve sucesso no passado.

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