Presos combatem fogos por 2 dólares à hora na Califórnia

Nos piores incêndios da história da Califórnia, há presos a combater as chamadas, juntamente com os bombeiros. Os perigos que enfrentam são muito semelhantes. Mas o salário não é o mesmo. Algo que está a suscitar debate

Mais de dois mil presos a cumprir pena, entre eles 58 jovens condenados por crimes, estão a combater as chamas juntamente com 14 mil bombeiros naqueles que são os piores incêndios de sempre no estado norte-americano da Califórnia.

O cansaço, o risco e o perigo que enfrentam uns e outros no combate aos fogos são muito semelhantes. Mas o pagamento não é o mesmo. Os presos, homens e mulheres, ganham 2 dólares à hora e, se o incêndio estiver ativo no momento, ganham mais 1 dólar por cada hora de trabalho.

Os bombeiros ganham 11 dólares à hora e 16,50 dólares à hora se estiverem já a trabalhar a fazer horas extraordinárias, segundo dados do Departamento de Florestas e Proteção contra Incêndios da Califórnia citados pelo jornal Independent.

A participação destes condenados no combate aos incêndios permitiu ao governo do estado poupar entre 90 a 100 milhões de dólares por ano, declarou o porta-voz do Departamento de Correção e Reabilitação da Califórnia, Bill Sessa, à KQED, filial da PBS na Califórnia.

Sessa lembrou que o programa é de participação voluntária, que os presos têm treino específico de combate a incêndios, que não participam condenados por crimes pesados como o de abusos sexuais e que a participação de presos no combate a fogos remonta à II Guerra Mundial, quando havia poucos homens no Departamento de Florestas e Proteção contra Incêndios da Califórnia, por causa da mobilização para o conflito.

Mesmo assim, as críticas, pela desigualdade nos salários não se fizeram esperar. "Isto é absolutamente desumano. Tem que haver uma grande mudança para que as pessoas sejam tratadas de forma justa", declarou Clarise McCants, diretora de campanha do grupo Colour of Change, igualmente citada pelo jornal Independent.

Gayle McLaughlin, ex-candidata a vice-governadora da Califórnia, ex-membro do Partido Verde, classificou, o ano passado, como trabalho escravo o uso de presos no combate aos incêndios por valores muito inferiores aos que são pagos aos bombeiros.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Daniel Deusdado

Começar pelas portagens no centro nas cidades

É fácil falar a favor dos "pobres", difícil é mudar os nossos hábitos. Os cidadãos das grandes cidades têm na mão ferramentas simples para mudar este sistema, mas não as usam. Vejamos a seguinte conta: cada euro que um português coloca num transporte público vale por dois. Esse euro diminui o astronómico défice das empresas de transporte público. Esse mesmo euro fica em Portugal e não vai direto para a Arábia Saudita, Rússia ou outro produtor de petróleo - quase todos eles cleptodemocracias.

Premium

Brexit

"Não penso que Theresa May seja uma mulher muito confiável"

O diretor do gabinete em Bruxelas do think tank Open Europe afirma ao DN que a União Europeia não deve fechar a porta das negociações com o Reino Unido, mas considera que, para tal, Theresa May precisa de ser "mais clara". Vê a possibilidade de travar o Brexit como algo muito remoto, de "hipóteses muito reduzidas", dependente de muitos fatores difíceis de conjugar.