Presidente venezuelano pondera suspender venda de crude aos EUA

Nicolas Maduro acusa os Estados Unidos de terem um plano para paralisar a indústria petrolífera venezuelana e sabotar as receitas do país

O Presidente da Venezuela acusou nesta quarta-feira os Estados Unidos de terem elaborado um plano para paralisar a indústria petrolífera venezuelana e sabotar as receitas do país, e anunciou que pondera suspender a venda de crude a Washington.

"Descobrimos laços diretos com a embaixada dos Estados Unidos na Venezuela para provocar um retrocesso na indústria petrolífera e uma greve silenciosa, o que baixaria a produção de petróleo", afirmou Nicolás Maduro, na sequência de um encontro com trabalhadores da estatal Petróleos da Venezuela SA (PDVSA), durante o qual se referiu à detenção de dirigentes da empresa por alegada corrupção.

"Senhores que tinham comando e poder (...) estavam a roubar petróleo diretamente, traziam barcos internacionais que enchiam de crude ou produtos [derivados] e cobravam em contas pessoais", disse, adiantando que alegadamente tentavam também sabotar a distribuição de combustível.

Nicolás Maduro afirmou estar na disposição de suspender o abastecimento de petróleo aos Estados Unidos que ronda os 750.000 barris diários, segundo a imprensa venezuelana.

"Caro Presidente Donald Trump: Você decide, compadre. Se quiser que continuemos a vender-lhe petróleo, vender-lhe-emos petróleo, mas se um dia você deixar que os loucos extremistas da direita lhe aqueçam as orelhas [o aconselhem mal], a Venezuela irá agarrrar nos seus barquinhos e levar o petróleo ao mundo", disse.

Segundo Nicolás Maduro, a Venezuela não terá qualquer problema em "vender todo o petróleo à Ásia".

O chefe de Estado venezuelano queixou-se ainda da "perseguição financeira" de Washington contra a Venezuela, através das sanções económicas impostas em agosto, as quais proíbem às empresas e cidadãos norte-americanos de renegociar títulos da dívida pública e da petrolífera estatal venezuelana.

Segundo o Ministério Público venezuelano, mais de 50 dirigentes petrolíferos foram detidos por suspeita de corrupção.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?