Presidente executivo da CBS investigado por assédio sexual

Les Moonves está a ser acusado por seis mulheres de assédio sexual e intimidação, revela a investigação do jornal "The New Yorker"

Os casos de escândalo sexual nos EUA têm agora um novo nome. Les Moonves, de 68 anos, presidente executivo da CBS, é acusado por seis mulheres de assédio sexual e intimidação e de outras formas de abuso por dezenas de alegadas vítimas, revela a investigação do jornal The New Yorker . A cadeia de televisão norte-americana já está a investigar o caso.

"O que aconteceu comigo foi uma agressão sexual e fui demitida por não participar"

Quatro mulheres denunciaram "toque forçado" ou "beijos"não solicitados durante reuniões, num comportamento que dava a entender que seria algo rotineiro" e duas mulheres afirmaram que Moonves as intimidou fisicamente, tendo ameaçado prejudicar as suas carreiras, lê-se no artigo assinado por Ronan Farrow, que venceu no início deste ano o prémio Pulitzer com o The New York Times pelo trabalho sobre as acusações de assédio sexual contra o produtor de Hollywood, Harvey Weinstein.

"Reconheço que houve momentos em que posso ter feito com que algumas mulheres se sentissem desconfortáveis ao fazer esses avanços"

"O que aconteceu comigo foi uma agressão sexual e fui demitida por não participar", denunciou a atriz e escritora Illeana Douglas a Farrow, que no artigo cita várias mulheres que terão sido vítimas ou que testemunharam os alegados casos de assédio sexual e de intimidação de Moonves, que terão ocorrido entre a década de 80 e o início dos anos 2000.

A produtora Christine Peters, por exemplo, conta que o presidente da CBS colocou a mão debaixo da sua saia durante uma reunião. "Fiquei em estado de choque", recorda. Já a escritora Janet Jones alega que Moonves a tentou beijar à força, também numa reunião de trabalho.

Na investigação, todas as alegadas vítimas consideram que foram prejudicadas na carreira por recusarem os avanços do presidente da CBS.

Moonves assume "erros"

Um nome poderoso nos media norte-americanos, Les Moonves admite que cometeu "erros" no passado. "Reconheço que houve momentos em que posso ter feito com que algumas mulheres se sentissem desconfortáveis ao fazer esses avanços. Foram erros e eu lamento-os profundamente. Mas sempre entendi e respeitei que 'não' significa 'não' e nunca usei a minha posição para prejudicar ou atrapalhar a carreira de alguém", afirmou numa declaração enviada à CBS.

CBS tomará as medidas adequadas após investigação

Aliás, a cadeia de televisão norte-americana já fez saber que Moonves está a ser investigado por alegações de má conduta e que irá tomar "as medidas adequadas" caso seja necessário. "Todas as alegações de má conduta devem ser levadas a sério. Os diretores independentes da CBS comprometeram-se a investigar alegações que violam as políticas claras da empresa. Após a conclusão dessa investigação, o conselho [de administração] tomará as medidas adequadas", lê-se no comunicado que a estação divulgou.

Após a publicação das acusações, a mulher de Les Moonves garante que o marido é um "bom homem e pai amoroso". "Sempre foi um ser humano gentil, decente e moral. Eu apoio totalmente o meu marido", escreveu Julie Chen no Twitter.

Curiosamente, Les Moonves foi uma das vozes que se manifestou a favor do movimento #MeToo, que surgiu após as denuncias de abuso sexual que visavam o produtor de Hollywood Harvey Weinstein. Conta o The New Yorker que o presidente da CBS chegou mesmo a ajudar a fundar uma comissão para a eliminação do assédio sexual no local de trabalho, que também promovia a igualdade de género.

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