Presidente dos EUA admite que jornalista saudita está morto

Quando questionado sobre se Khashoggi estava morto, Trump respondeu: "Certamente que assim parece... Muito triste".

Presidente dos Estados Unidos admitiu na quinta-feira que "certamente assim parece" que o jornalista saudita desaparecido, Jamal Khashoggi, está morto e ameaçou com consequências "muito severas" se se apurar que o regime de Riade o matou.

Donald Trump, que tem insistido que devem ser conhecidos mais factos antes de tomar uma posição, não revelou em que é que se baseou para fazer a última declaração sobre o destino do jornalista.

Questionado sobre se Khashoggi estava morto, Trump considerou o caso "Muito triste". Quanto às consequências para os líderes sauditas se se apurasse que eram responsáveis pela morte, respondeu: "Teriam de ser severas. É um caso mau, mau. Mas, vamos ver o que vai acontecer".

Antes de Trump falar, o seu Governo anunciou que o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, anulou a sua deslocação a um fórum económico na Arábia Saudita e um dirigente afirmou que o secretário de Estado, Mike Pompeo, tinha avisado o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, que a sua credibilidade, enquanto futuro líder, estava em causa.

Mike Pompeo disse que os sauditas deveriam ter mais alguns dias para finalizar e divulgar uma investigação credível, antes de os Estados Unidos decidirem "como e se" respondem.

Os comentários de Trump, contudo, assinalam uma certa urgência com o fim da investigação ao desaparecimento do jornalista, que foi visto pela última vez a entrar no consulado saudita em Istambul, a 2 de outubro.

A mensagem implícita é a de que a Administração Trump está preocupada com o efeito que o caso pode ter nas relações com um parceiro estratégico, próximo e valioso.

Congressistas, cada vez mais irritados, estão a condenar os sauditas e a questionar a seriedade com que Trump e os principais assessores estão a gerir o assunto, com este a enfatizar os mil milhões de dólares em armas negociados com os sauditas.

Relatórios turcos indicam que Khashoggi, que tem escrito colunas com críticas à monarquia saudita no The Washington Post ao longo do último ano, foi assassinado e desmembrado dentro do consulado saudita em Istambul por membros de um 'esquadrão da morte' com ligações ao príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.

Os sauditas têm desmentido estes relatórios, mas ainda não explicaram o que aconteceu ao jornalista.

Jamal Khashoggi, que estava exilado nos Estados Unidos desde 2017 e era um reconhecido crítico do poder em Riade, desapareceu no passado dia 2 de outubro depois de ter entrado no consulado saudita em Istambul para tratar de questões administrativas.

Na quarta-feira, um jornal turco pró-governamental revelou ter gravações de áudio realizadas no interior do consulado, avançando que Khashoggi, tinha sido torturado e desmembrado por agentes sauditas.